
Com mais de 15 anos de experiência no mercado de luxo, a paulista de alma efervescente Sandra Regina Alves Fazla já colaborou com marcas de moda de fino trato, como a Emporio Armani ou a nacional Andrea Saletto. Foi, porém, na oportunidade de trabalhar para a Cartier que viu seus olhos encontrarem o brilho – com o perdão do trocadilho – das joias. Ao longo de três anos na maison, ela aprimorou seu tino para a relação entre empresa e consumidor – o CRM, ou gestão de relacionamento com o cliente.
Sandra considera-se um ser humano e uma profissional em constante formação. Fiel à astrologia, ela é a aquariana mais sagitariana que você irá encontrar. Passeia com facilidade pelos mais diversos temas, pelo anterior debruçamento profundo sobre eles, o qual pratica com primor. E ela entende, de fato, de pessoas. Com inteligência emocional quase inata, desempenhou diversas funções, como a de gestora de equipes. Além da presente atenção firme na relação com o cliente, a qual faz a profissional perceber nuances que a destacam no mercado, deixando os clientes à vontade e os colegas de trabalho, superiores e pessoas próximas verdadeiramente surpreendidos.
Posterior à maison do grupo Richemont, unindo as paixões pelo trato com as pessoas e pelas gemas, foi convidada pela Dolce & Gabbana para exercer cargo de especialista em suas joias para a América Latina. Após a grife de influência siciliana, trabalhou para a Gucci no Catarina Fashion Outlet e chegou ao cargo de expert em alta joalheria e relojoaria da marca. Tornou-se, desta forma, rosto onipresente nos grandes eventos de joias de ambas as empresas italianas.
Neste ano, depois de longo caminho no segmento de alto luxo, Sandra transicionou profissionalmente. Percebendo lacunas no mercado em que se tornou especialista, ela enxergou uma oportunidade de negócio na conexão com as pessoas e criou o Essencial: programa que presta consultoria a pessoas e empresas com o objetivo de fortalecê-las. Como o faz? Olhando para todos os colaboradores de uma companhia, buscando valorizá-los. Nele, ela busca aliar a subjetividade humana, desde suas emoções até a comunicação, com o objetivo final de resultados práticos.

Por meio de trocas e conversas, nasceram os pilares do programa. Quase como uma terapia, eles são: encontrar o propósito do mentorado; praticar a comunicação e escuta para gerar conexões com os clientes; a construção pessoal, por meio de métodos e dinâmicas de estudo, para além do conhecimento; e os procedimentos, adaptados para cada atendimento. Com “estratégia e alma”, como ela se refere, o serviço toma escopo em mentorias, workshops, treinamentos ou consultorias.
Junto ao seu novíssimo projeto, ela compartilha pílulas de seu conhecimento às quartas-feiras, nas “Quartas Essenciais”, pelo seu perfil no Instagram. Nelas, autocuidado, autoconhecimento e mergulho profundo na alma são a pauta primordial.
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Na entrevista abaixo, exclusiva para o CHNews, conheça mais sobre a profissional e a pessoa de Sandra Fazla. Não deixe, também, de acompanhar o seu brilhantismo incomum nas redes sociais.
CHNews: Quando se fala em conexão com pessoas, nada melhor que afastar a fria impessoalidade. Poderia começar contando um pouco para o nosso público quem é a Sandra e o que preenche a sua alma?
Sandra Fazla: Eu sou uma pessoa relacional. Eu acho que o meu grande forte é saber me relacionar com as pessoas. Eu tenho uma inclinação astrológica muito grande, e o meu mapa [astral] explica muito isso. Tenho o ascendente em libra e eu sou aquariana, que é o povo das multidões. O libriano, [pelo] ascendente em libra, é o diplomata, que sabe fazer essa negociação com as pessoas. E a minha lua em leão, que me faz falar bem, não ter medo de palco. Eu sou uma pessoa que conversa com desde quem faz a limpeza nos banheiros, até o presidente [da empresa] com a mesma naturalidade. Então eu acho que se eu for definir a Sandra, ela é uma pessoa de relações.
CHN: O que acha que a sua experiência dentro da moda agregou para a pessoa e a profissional Sandra Fazla?
SF: Acho que tudo. Eu sempre achei que a moda não é uma futilidade, não é uma banalidade. Para mim, pessoalmente, a moda exprime o meu estado de espírito. A moda me representa. No primeiro vídeo que eu fiz das Quartas [Essenciais], eu coloquei isso. Eu falei: “quando você se veste do jeito que você gosta, você pode até sair pelado na rua”, porque você está vestido de você mesmo, né? A moda para mim é preponderante em tudo. Ela me guiou em muitos, muitos momentos da minha vida.

CHN: Com passagem duradoura por algumas das grifes de maior renome do mundo, você revelou que se tornou uma apaixonada por joias e relojoaria. O que te encantou na área?
SF: Eu acho que foi a psicologia. Quando eu fui trabalhar na Cartier, não foi por vontade própria, por paixão por joia. Muito pelo contrário, eu não via na joia esse objeto de desejo que as pessoas veem. Eu fui contratada pelo meu elemento relacional, pela forma que eu podia me relacionar com as pessoas, a forma que eu podia resolver as questões mais complicadas com os clientes. Só que aí, eu achei que eu tinha um histórico. Eu vinha da Emporio Armani e eu dizia: “a pessoa [que] compra R$ 100 mil, por exemplo, de calças e blazers, ela vai comprar uma pulseira Love num piscar de olhos”.
Fui vendo que quando fui convidando os meus clientes mais íntimos, eles tinham uma resistência muito grande para comprar. Não era que nem entrar na loja, comprar uma bolsa, um terno, um sapato. Era difícil. “Ah, não, mas eu preciso pensar”. E, óbvio, eu fui estudar por que isso acontecia. Eu descobri que psicologicamente o ser humano tem uma ligação com a joia. Eu tenho um cliente que é endocrinologista e astrofísico, que ele fala que a gente tem tanto metal no sangue e que a ligação com o metal, com o ouro e com os metais preciosos vem daí, porque é parte da gente, é como se fosse macro e microcosmo.
Mas eu não fui nisso, não. Eu fui entender qual era o fascínio e qual era a resistência que o cliente tinha com a joia. Fui aprender [sobre] todos os minerais. Você tem o mesmo mineral que dá safira e água-marinha. É lindo. A parte da gemologia é muito legal. Então, aí eu fui estudar por que os faraós eram enterrados com todas as joias e com o ouro. E aí eu fui tirando conclusões.
Então, por exemplo, se você brigar com o seu marido, você entra numa loja e fala: “vou comprar uma bolsa só de raiva”. Só que aquela bolsa representa o dia da briga. Se você fizer as passes três dias depois, você não vai querer ver a bolsa. A joia, você é obrigado a olhar. Por essa conexão que o ser humano tem com a joia, é quase uma reverência. Tanto que a joia é usada nas grandes comemorações: formatura, nascimento, casamento. Ela é representativa, né? Herança. Então, assim, a história da joia é muito além do que só ser um objeto de adorno.

CHN: Vinda do alto luxo, que preza pela relação um a um com os clientes, você já usava a conexão real como ferramenta de trabalho, para se relacionar e fidelizar seus clientes?
SF: Sim, mas tem uma coisa muito importante aí. Você usa essa conexão, você faz essa leitura, mas comercialmente falando, tem um limite que você não pode ultrapassar. Se você virar amigo do seu cliente, acabou a parte comercial. Seu cliente nunca mais vai te ver como o representante daquela marca ou representante de um produto X. Então tem que ficar muito bem estabelecido quem você quer para cliente e quem você quer para amigo.
CHN: É perceptível que você é bastante atenta às questões humanas. Como nasceu essa paixão pela conexão humana como forma de evolução? Ela se deu na funções que exerceu? Conta para a gente.
SF: Eu acho que eu sempre fui. Como eu falei que sou relacional, eu sempre meio que estudei o outro. Mas nessas relações comerciais, a gente entende o que a pessoa quer. Porque nunca um cliente vai a uma loja em busca de um produto, principalmente no mercado de luxo. Ele vai sempre em busca de alguma coisa que ele não tem. A compra é uma desculpa para encontrar. E quando você detecta isso… O que eu ensinei, sempre, para as minhas equipes é: “não fale sobre o produto”. Saber sobre produto e saber que o produto tem qualidade é óbvio. Isso é o básico. O além é descobrir o que o cliente foi fazer lá.
Então você faz uma leitura. Às vezes você pega uma família com um monte de gente e a pessoa que está comprando, não é ela que está comprando. Tem uma avozinha sentada lá, que tudo ela vai, mostra. Eu saía e falava: “e aí, vó, o que nós vamos comprar hoje?” Pronto. Então, essa leitura eu acho que já é uma coisa meio nata. Mas é uma coisa que com treino você vai [adquirindo]. E autoconfiança, né? Tem muito de autoconfiança.
CHN: Neste ano, você mudou a rota profissional e pegou as rédeas no projeto solo Essencial. O que te despertou para esse mergulho na alma que é a mentoria?
SF: Acho que, sobretudo, a carência do que eu estou propondo. Então, assim, eu falo no primeiro vídeo do Essencial que ele tem um olhar muito carinhoso para as pessoas. E para todas as pessoas. Porque você não pode, por exemplo, fazer uma consultoria para uma empresa e não saber quem é a moça do café. E também não pode não ter acesso ao dono da empresa, ao diretor da empresa. Então, o que me despertou foi que todas essas pessoas têm carências. Quando você pega uma empresa, principalmente, que não precisa ser uma multinacional, uma empresa menor. Às vezes, aquele diretor, aquele gerente regional, ele é tão sobrecarregado, que ninguém olha para ele. E o Essencial é isso, é buscar, olhar para a pessoa, sentar com ela e perguntar: “quem é você?” É a primeira pergunta que eu faço. Então é um olhar muito carinhoso. E [com] essa experiência toda que eu tive, eu fui detectando esses vazios mesmo.

CHN: Dentro do Essencial, em meio aos diferentes formatos de serviço e focos de transformação, como você encaixa a subjetividade no trilho dos resultados objetivos?
SF: Se as pessoas descobrirem que o propósito não é material, não é um propósito objetivo, é subjetivo, você ganha uma autoconfiança para que o objetivo seja feito com muito mais tranquilidade e facilidade. Pode parecer meio vago, mas não é, porque quando você desperta o prazer da pessoa [em] ser quem ela é, de se colocar diante do outro, ela vai produzir com mais eficácia e menos dor, menos pressão. Na prática, funciona muito bem.
Então, todos os focos do Essencial são subjetivos, mas o intuito final é atingir as coisas objetivas. Mesmo que seja, por exemplo, numa mentoria pessoal. Quando a pessoa descobre o que ela é, o que ela gosta de fazer. Sabe aquela máxima “o dinheiro não é causa, é consequência”? Então, quando a gente fala de objetividade, é uma coisa que vem naturalmente quando você se coloca para o mundo para o que você veio fazer. Porque você vai fazer muito melhor, com mais tranquilidade, com mais consciência, e o resultado é inevitável que seja melhor também.

CHN: Além das usuais Quartas Essenciais, nesta última quarta-feira (02.07) você divulgou o “Shot Essencial”. Poderia contar um pouco sobre quais os planos futuros e próximos passos do Essencial?
SF: O Shot foi um insight. Como eu estou no processo de divulgação do programa, muitas vezes eu acho que as Quartas Essenciais ficam assim, “ah, isso é uma reflexão”. E é uma reflexão que está intimamente ligada ao programa, mas talvez as pessoas não percebam. Então, com o shot, eu tenho a impressão de que as pessoas vão procurar mais o programa e vão entender como é que elas podem usar o programa ao seu favor. Inicialmente, o shot só serve para mentorias individuais, ele não serve para os outros modelos. E é também uma forma de marketing.
[Sobre] os próximos passos, eu penso muito que o workshop vai trazer o que o Essencial precisa. Então, a minha meta é que os workshops – principalmente para públicos maiores e presenciais – sejam a modalidade mais consumida, porque o meu intuito é atingir o inconsciente coletivo, exatamente com essa subjetividade que a gente falou.



