
Cinco anos após o início da pandemia, o The Anchor, apoiado pela plataforma Placer.ai, publicou um relatório abrangente sobre os hábitos de consumo pós-Covid. Utilizando dados de fluxo de pessoas em lojas físicas no primeiro semestre de 2025, em comparação com 2019 e 2024, o estudo identifica seis dinâmicas profundas e duradouras. Essas dinâmicas incluem varejo, restaurantes, entretenimento e trabalho híbrido. Os efeitos da pandemia continuam a moldar as escolhas dos consumidores.
Retorno ao varejo físico e restaurantes
Contra todas as expectativas, o fluxo de pessoas em lojas e restaurantes agora supera os níveis pré-crise. A ideia de uma mudança definitiva para o e-commerce é infundada. Os consumidores estão retornando às lojas e restaurantes em massa.
Esse retorno não se deve apenas ao fim das restrições sanitárias: é uma escolha consciente. “O apetite por varejo e restaurantes físicos está mais forte do que nunca”, resume o relatório. A crise serviu como um lembrete da importância da experiência física, da conexão social e do prazer associado a sair de casa, dimensões ausentes nas compras online.
Consumidores estão dispostos a ir além para encontrar o produto certo
Outra forte tendência é o fim da abordagem “tudo em um”. Os consumidores não hesitam mais em visitar vários varejistas ou prolongar sua jornada de compras para encontrar “o” produto ou “a” marca que melhor se adapta a eles. Economizar tempo não é mais necessariamente uma prioridade.
Esse fenômeno reflete o aumento das expectativas: os consumidores não se contentam mais com a opção mais prática ou imediata. Eles buscam o ajuste certo, o material certo e o compromisso ético ou ambiental certo. Isso está remodelando os fluxos nas lojas, com os varejistas mais generalistas perdendo espaço para marcas mais especializadas ou voltadas para a identidade.
O valor percebido se torna um fator decisivo de crescimento
A ascensão de varejistas voltados para o valor, seja por meio de preços baixos, promoções ou simplesmente pela boa relação custo-benefício, é um dos indicadores mais claros deste período pós-pandemia. Essa tendência não se limita às lojas de desconto tradicionais. Abrange também as redes que demonstram sua utilidade, coerência de preços e clareza de sua promessa. “O valor e a percepção desse valor conferem às redes uma clara vantagem”, observa o relatório. Em um contexto de inflação e incerteza, o poder de compra continua sendo um árbitro central das decisões do consumidor.
Polarização crescente entre o segmento de entrada e o premium
Observa-se uma bifurcação acentuada no comportamento de compra: os segmentos econômico e de alto padrão estão prosperando, enquanto a oferta chamada de “gama intermediária” está perdendo seu apelo. Trata-se do tão esperado desaparecimento da gama intermediária, previsto há anos, mas agora acentuado. Ou cada centavo gasto é otimizado, ou compras mais qualitativas são permitidas, mas justificadas por um status, durabilidade ou dimensão experiencial. Essa polarização enfraquece marcas estabelecidas posicionadas em equilíbrios intermediários, muitas vezes considerados muito vagos ou indiferenciados.
Entretenimento fora de casa redefinido
A pandemia mudou profundamente a forma como os consumidores encaram o lazer. O modelo tradicional de cinema, em particular, parece mais instável do que nunca, com a frequência agora dependente dos últimos sucessos de bilheteria.
Por outro lado, formatos mais imersivos, como museus ou conceitos que combinam gastronomia e entretenimento (“eatertainment”), estão alcançando um novo patamar de frequência. Esses espaços, muitas vezes enraizados em áreas locais, oferecem uma experiência diferenciadora com alto valor agregado social ou cultural. As pessoas não saem mais por impulso, mas sim para vivenciar algo único.
Escritórios permanecem desertos, apesar dos incentivos
Finalmente, talvez a transformação mais estrutural diga respeito ao mundo do trabalho. Apesar das campanhas de retorno ao escritório, a ocupação dos escritórios permanece, em média, 33% menor do que em 2019.
O modelo híbrido se consolidou como uma norma duradoura, com os dias de atendimento frequentemente concentrados no meio da semana. Isso tem efeitos em cascata sobre imóveis comerciais, lojas locais nos centros das cidades e padrões de consumo relacionados a pausas para almoço, transporte ou bebidas após o expediente.
Rumo a um novo normal no comportamento de compra
A principal lição deste estudo é que a Covid atuou como um acelerador ou revelador de transformações já em andamento. O antigo normal não retornará. No entanto, um novo normal está emergindo, marcado pela busca por significado, valor e qualidade da experiência.
Para as marcas, essas tendências exigem reposicionamento estratégico, como repensar a oferta física, esclarecer o posicionamento de preços, fortalecer a identidade e se adaptar a ritmos de vida menos lineares.
Em 2025, o consumidor será, ao mesmo tempo, mais seletivo, mais segmentado e mais engajado. As empresas que conseguirem ler esses sinais sairão na frente.
Sobre este estudo
O relatório “6 Tendências que Ainda Definem o Comportamento do Consumidor Pós-Pandemia”, publicado pela The Anchor (Placer.ai), baseia-se em uma análise comparativa de dados de atendimento presencial entre o primeiro semestre de 2019 (pré-Covid) e 2024 e 2025.
Os resultados baseiam-se em dados coletados por meio da geolocalização móvel dos consumidores, permitindo o rastreamento de visitas a pontos de venda, restaurantes, locais de entretenimento e prédios comerciais nos EUA. A versão pública do relatório não fornece dados sobre o tamanho da amostra ou a população monitorada.



