
A Pinakotheke Cultural, no Rio de Janeiro, abre, nesta segunda-feira (1º de setembro) a exposição “O início do mundo”, com 77 obras de 59 artistas mulheres, de diferentes gerações e expressões de trabalho. A curadoria é de Katia Maciel e Camila Perlingeiro, que selecionaram trabalhos em pintura, gravura, desenho, vídeo, fotografia, escultura e objetos. A mostra ficará em cartaz de 1º de setembro a 18 de outubro de 2025, com entrada gratuita.
O início do mundo é um convite a regressar às origens. No total, 59 mulheres evocam o feminino como princípio criador e força de transformação. Cada imagem, cada matéria carrega em si a potência das metamorfoses cíclicas, antigas e futuras. Aqui, o começo não é um ponto fixo, mas um movimento contínuo: um mundo que se reinventa no corpo feminino, na memória e na arte.

“Essa exposição é um projeto ousado, mesmo para a Pinakotheke”, diz Camila. “Reunir tantas artistas e obras com suportes tão diversos foi certamente um desafio, mas um que abraçamos com entusiasmo. Há anos pensávamos em uma mostra que envolvesse um número expressivo de artistas mulheres, e a curadoria de Katia Maciel, poeta e artista múltipla, foi a garantia de um projeto ao mesmo tempo criterioso e sensível.”

A montagem da exposição não obedece a um critério de linearidade. As aproximações são poéticas, onde obras em diferentes suportes se agrupam – como filmes junto a fotografias, ou pinturas que conversam com objetos, por exemplo. “É um percurso orgânico”, observa Camila.
A primeira sala é toda em preto e branco, “porque simboliza o começo, antes da cor, antes de tudo”, explica a curadora. As outras salas são uma reunião de obras que conversam profundamente entre si e ao mesmo tempo formam uma cacofonia delicada e potente de tudo o que simboliza o início e o ciclo da vida.

Katia indaga: “O início é um ponto, uma linha, um círculo?”. “Para a física, seria um ponto primeiro, um começo que explode. Para a história, uma linha contínua que por vezes se bifurca. Para as mitologias, um círculo que gira sobre si mesmo. Para a arte, o início são os três pontos, a reticência, a pergunta, a dúvida, uma forma viva que liga o finito ao infinito. A exposição reúne o trabalho de 59 mulheres cujos aspectos sensíveis e simbólicos expressam um início possível”, finaliza.

Pinakotheke Cultural – São Clemente, 300, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ.



