
O Festival Híbrido, a primeira plataforma da capital paulista a conectar o empreendedorismo canábico e derivados do cânhamo, medicinal, head shops e grandes players do setor à economia verde, chega à sua terceira edição consolidado como um dos maiores encontros brasileiros desse mercado. Em 2025, parte da programação será dedicada também à cultura psicodélica e seus desdobramentos sociais, científicos e artísticos. Com data marcada para os dias 11 e 12 de outubro no
Komplexo Tempo, no Parque da Mooca, o festival abriu seu segundo lote de ingressos, por R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), disponíveis no site da Sympla.
Uma entre as variadas atrações do festival, no centro da programação, é o Psychedelic Talks, com curadoria do jornalista e escritor Carlos Minuano, que promove discussões sobre legalização, uso terapêutico de psicodélicos, integração entre espiritualidade e ciência, saberes indígenas e políticas públicas de saúde.
Um dos destaques no sábado, primeiro dia do evento, é o painel com o tema “Psicodelia ancestral, etnoturismo no Acre e COP30”. Tendo nomes como Adalgisa Bandeira, chefe da divisão de promoção de destinos turísticos no
Acre, Bruno Brandão, líder cultural, espiritual e educacional do povo Shanenawa em Feijó (AC) e representante da comunidade na COP30, Renato Libanoro, diretor, produtor audiovisual, sócio-fundador da Bari Filmes, Carlos Messias, escritor, jornalista e integrante da equipe de comunicação do Festival Indígena União dos Povos (Fiup), com mediação de Minuano, o debate levantará reflexões e desafios de equilibrar tradição, turismo e expansão psicodélica em um cenário de transformações sociais e ambientais.
Outra mesa de destaque acontece no mesmo dia, e na sequência: “Renascimento psicodélico: visões amazônicas e vozes indígenas”. Com participação de Osiris García Cerqueda, sociólogo, líder mazateca de Huautla de Jiménez, Oaxaca (México) e coordenador do Programa da Iniciativa de Reciprocidade Indígena das Américas do Instituto Chacruna, o debate reúne também lideranças indígenas, especialistas e pesquisadores que debatem os impactos do processo de expansão global da ayahuasca e dos cogumelos mágicos e a importância do protagonismo indígena no chamado renascimento psicodélico.

Ainda no sábado (11.10), o Fórum Mundial da Ayahuasca, que será realizado em 2026 na Espanha, será tema de uma das mesas do evento. O debate terá a presença de Raine Piyãko, vice-presidente do Instituto Yorenka Tasorentsi e liderança do povo Ashaninka (AC), além da participação online de Benjamin De Loenen, fundador e diretor-executivo do Iceers, organização espanhola coorganizadora do fórum. Será um momento especial de escuta intercultural e reflexões sobre como aproximar ciência ocidental e os saberes ancestrais. O público será convidado a debater o atual contexto e a trajetória do movimento político, que teve origem nas conferências indígenas e culminará em 2026, na Espanha, como um fórum global de intercâmbio entre ciência e saberes tradicionais.
No domingo (12.10), segundo dia do festival, o painel “Saberes e narrativas da psicodelia: de Maria Sabina à ciência psicodélica” abre a programação contando novamente com Osiris García Cerqueda, além da antropóloga Bia Labate, a historiadora e antropóloga cultural Ligia Platero. Henrique Antunes, diretor de pesquisa do Chacruna Institute, será o mediador. O legado da curandeira mazateca Maria Sabina, que levou os cogumelos sagrados aos olhos do mundo, será referência nesta mesa das múltiplas narrativas da psicodelia. A conversa refletirá sobre o papel dos povos tradicionais na transmissão desses saberes e sobre como a antropologia e a ciência psicodélica dialogam – ou colidem – com práticas ancestrais.
Mais à tarde, Randy Gonzales, xamã peruano e coautor do livro “Iniciação pelos Espíritos”, se juntará a outros nomes como Karla Perdigão, psicóloga, cofundadora do LIS e atuante no vegetalismo amazônico, e Alessandro
Campolina, médico geriatra, psicoterapeuta e professor da Fmusp. Em pauta, o debate “Vegetalismo no Brasil: saberes das plantas mestras”, apresentando os caminhos das plantas mestras a partir de quem vive essa jornada com seriedade, humildade e respeito, em diálogo com a ciência e com os desafios de compreender e integrar esses saberes no contexto contemporâneo.

Seguindo a programação do último dia, destaque também para o painel “Arte visionária: pintando o invisível”, que fará uma homenagem ao artista peruano Pablo Amaringo (1938-2009), referência mundial por sua obra inspirada em visões da ayahuasca. A mesa terá a presença de seu filho, Juan Amaringo, do artista peruano Randy Gonzales, Alex Junior Azevedo, galerista, curador e produtor cultural, e Carlos Minuano em um mergulho em símbolos, cores e memórias que nascem dos estados expandidos de consciência.
Também serão realizados debates não menos importantes a respeito de temas como legalização e políticas públicas, jornalismo psicodélico, avanços das pesquisas psicodélicas e Psicoterapia Assistida por Psicodélicos (PaP), integração psicodélica, entre outros temas diversos.
Komplexo Tempo – Av. Henry Ford, 511, Parque da Mooca, São Paulo, SP.



