
Em meio à realização da COP30 no Brasil, a atenção, na indústria fashion, se volta para a sustentabilidade. Entre brasileiras e internacionais, as marcas sustentáveis se mostram, de fato, como o futuro da moda.
Atos como ter consciência da fonte das matérias-primas utilizadas na produção, aplicar transparência e honestidade junto a consumidores e colaboradores e ter governança que abarque responsabilidade social são as chaves para uma indústria em real equilíbrio com o meio ambiente.
A pesquisa e a rastreabilidade devem ser as maiores aliadas das empresas quando o assunto é a sustentabilidade verdadeira, não apenas performática – o famoso greenwashing. Junto a elas, a circularidade na cadeia têxtil é extremamente necessária para prolongar o ciclo de vida dos produtos e materiais consumidos. Uma prática parceira nesta missão é o upcycling, assim como o fazem diversas técnicas de agricultura regenerativa, que podem, inclusive, auxiliar na biodiversidade.
Voz super-potente no mercado, impossível falar em moda consciente e sofisticada sem citar Stella McCartney. Grife que deixou o grupo LVMH no início deste ano, Stella é inovadora e pioneira em pesquisas de novos materiais para compor o rol de tecidos que utiliza. No ano passado, sua fundadora de mesmo nome foi a pessoa do ano da ONG PETA.
Ao contrário do fast-fashion, por exemplo, que traz produção massiva de peças com materiais nada eco-friendly, nem de longa durabilidade, estas cinco marcas a seguir estão num caminho promissor quanto à responsabilidade de confecção, à produção de itens atemporais e na missão de serem solução para a crise climática. Fique de olho nelas abaixo:
Flavia Aranha

Tesouro nacional, Flavia Aranha tem cerficação do Sistema B desde 2016, quando pouco se falava sobre sustentabilidade no país. A marca tem peças de confecção em materiais como látex natural, couro de micélio, sementes amazônicas e até cebola roxa. Aranha tem, ainda, compromisso com a biodiversidade e chama suas criações de “roupas vivas”, já que usa, em seus itens, tingimento natural vindo de extrato que poderia servir também como adubo para o solo.
Patagonia

No auge do hype nas redes sociais, a Patagonia tem a fórmula – de sustentabilidade e durabilidade de peças – que conquista a Geração Z, de ávidos buscadores por consumo consciente. A marca, que nasceu nos Estados Unidos, tem iniciativas impactantes como o seu programa Worn Wear. Ele promove longevidade do vestuário por meio de práticas como: o trade-in, em que compra itens de volta dos consumidores, para que não acabem em aterros sanitários, e transforma-os em crédito; a revenda dos próprios itens secondhand; e a reparação de equipamentos, evitando o descarte.
Além disso, a Patagonia tem objetivos climáticos claros e participa do programa “1% For The Planet” desde 1985.
Angela Brito

Da estilista homônima, a marca Angela Brito faz itens handmade “de design limpo”, segundo ela, em seu ateliê. Ela traz em seu DNA a durabilidade das peças e o minimalismo como forma de criar atemporalidade e longevidade para o vestuário da mulher contemporânea. Além disto, sua moda é ética e responsável, com valorização do artesanato e da produção consciente.
É possível extrair ainda a sua decolonialidade e sua visão fora do eixo tradicional, afinal, as criações partem de uma mulher negra – a primeira a ter uma coleção desfilada no SPFW – de origem cabo-verdiana, país que ocupa posição 135 no ranking do IDH e que, injustamente, não está necessariamente no centro da atenção do mundo fashion – nem da maioria das indústrias.
É preciso lembrar que a sustentabilidade também tem pilar social, na equidade de oportunidades e no afastamento da desigualdade social.
Eileen Fisher

Marca internacional com e-commerce que faz entregas para o Brasil, Eileen Fisher é uma empresa certificada B Corp. Com códigos de guarda-roupas simples e vida sustentável, ela produz coleções com certificação Fair Trade, tem iniciativas circular e de produzir novos designs com itens de segunda mão que coleta.
Para além, a empresa utiliza fibras orgânicas, como o algodão, e assinou a Proclamação do Salário Digno, emitida pela organização United for a Fair Economy, na qual se compromete em priorizar renda mínima suficiente para os trabalhadores custearem suas necessidades básicas, como alimentação, moradia e vestuário.
Alohas

Que tal ser uma das #AlohasChicas? A Alohas é uma marca de peças versáteis, para homens e mulheres, desenhadas e fabricadas na Espanha. Sua produção é sob demanda, para eliminar o desperdício do overstock, por meio de sistema específico que prevê os níveis de demanda antes da produção.
Isto ocorre por meio da divulgação de novas coleções, com desconto maior, anteriormente à sua produção, na primeira fase, on demand. À medida que a produção se inicia, as coleções entram em pré-venda e o desconto é diminuído, para encorajar as clientes a realizarem pedidos antes da utilização real dos materiais, afastando ao máximo o desperdício.
A label conta ainda com o Second Life Project, iniciativa em que utiliza couro de cacto e milho, além de outros materiais reciclados, para solados, saltos, ponteiras e forros. Há ainda o fato de que seus itens de couro animal têm certificação do Leather Working Group e suas fábricas são auditadas externamente, garantindo práticas trabalhistas mais justas.



