
Para quem estiver em São Paulo nas últimas semanas de dezembro, a cidade oferece um percurso singular por exposições gratuitas que atravessam arte contemporânea, corpo, ancestralidade, memória e paisagem. No Sesc Belenzinho (Rua Padre Adelino, 1.000 – Belenzinho ), “Ònà Irin: caminho de ferro“, de Nádia Taquary, propõe uma travessia sensorial a partir das cosmologias afro-brasileiras e da força feminina negra. No centro histórico, o CCBB São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico) apresenta “Corpo Manifesto”, primeira grande individual paulistana de Sérgio Adriano H, em que o corpo se afirma como território político e poético. Já no Instituto Tomie Ohtake (Av. Faria Lima, 201 – entrada pela Rua Coropé, 88 – Pinheiros), um conjunto de exposições articula reflexões sobre herança cultural, água, território e pensamento crítico, fazendo do período um convite à circulação entre linguagens, histórias e mundos possíveis.

Em “Sonia Gomes – Barroco, mesmo”, a artista mineira estabelece um diálogo intenso entre arte contemporânea e o legado barroco brasileiro, revelando camadas de memória, técnica e ancestralidade. “A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um Museu da Errância com Édouard Glissant” propõe um museu em movimento dedicado ao pensamento do poeta e filósofo martinicano, reunindo artistas de diferentes geografias em reflexões sobre paisagem, linguagem, memória e relações entre territórios. Também no Instituto Tomie Ohtake, a mostra coletiva “Águas subterrâneas: narrativas de confluências” conecta o sistema Tietê-Pinheiros ao rio Charente, na França, reunindo artistas brasileiros e franceses em reflexões sobre água, território, ecologia e política. Juntas, as exposições desenham um panorama plural e consistente da produção contemporânea, fazendo de São Paulo um destino privilegiado para quem busca arte e reflexão no encerramento do ano.



