
O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro apresenta a exposição “Há quanto tempo não olho para o céu?”, individual da artista baiana Aruane Garzedin, com abertura no dia 28 de janeiro de 2026, das 16h às 20h. Com curadoria de Shannon Botelho, a mostra reúne cerca de 20 obras, entre pinturas em acrílico sobre tela, trabalhos em papel, uma instalação e uma obra têxtil de grandes dimensões, e apresenta um recorte da pesquisa da artista sobre as relações entre corpo, espaço e tempo no ambiente urbano.
Formada em arquitetura e urbanismo, Aruane desenvolve há décadas uma trajetória nas artes visuais marcada pela observação da cidade e de seus ritmos. Sua pintura se expandiu da tela para o espaço urbano por meio do grafite e da instalação, refletindo processos de apropriação, desgaste e reinscrição do território. Nesta exposição, o foco recai sobre o chão da cidade, superfície onde fluxos, apagamentos e permanências se inscrevem de forma simbólica e concreta.
As obras em acrílico apresentam fragmentos do cotidiano urbano: calçadas, sombras, objetos esquecidos, cercamentos, sinalizações e marcas do espaço público, organizados por sobreposições de camadas e uma paleta cromática contida. O conjunto constrói uma leitura sensível da cidade a partir de seus vestígios e marcas de presença humana.

Entre os destaques está a instalação “Sem gravidade” (180 × 340 cm), em impressão sobre voil, que tensiona noções de peso, apoio e suspensão no espaço, propondo uma reflexão sobre desconexão, tecnologia e experiência contemporânea. Já a obra “O solo em comum” (180 × 130 cm), realizada sobre um tapete, estabelece uma relação direta entre corpo e obra, evocando o chão como espaço de encontro, conflito e múltiplas narrativas.
Para Botelho, o chão aparece na obra de Aruane como um território simbólico: “origem e destino, onde se inscrevem tanto os projetos de mundo quanto os seus fracassos”. Segundo ele, ao deslocar o olhar para baixo, a artista revela camadas da cidade invisibilizadas pelo cotidiano acelerado, evidenciando disputas entre memória, uso e apagamento.
Elementos como as pedras portuguesas, típicas da paisagem urbana do Rio de Janeiro, estruturam diversas composições da mostra, criando padrões que ampliam a espacialidade das cenas e estabelecem diálogos entre geometria, objetos ordinários e jogos de sombra.
Vivendo entre Salvador e Rio de Janeiro, Aruane incorpora essas diferentes dinâmicas urbanas em sua pesquisa. Ao ocupar o Centro Cultural Correios RJ, no coração do centro histórico carioca, a exposição cria um diálogo direto com o território que inspira sua obra.

“Há quanto tempo não olho para o céu?” propõe uma experiência de observação desacelerada, convidando o público a refletir sobre suas próprias formas de habitar, atravessar e sentir a cidade, a partir de imagens fragmentárias, abertas e atravessadas pelo tempo.
Centro Cultural Correios Rio de Janeiro – Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro, RJ.



