
A Nara Roesler abre no dia 5 de fevereiro a exposição “Telúricos”, com curadoria de Ana Carolina Ralston. A mostra reúne mais de 40 obras, muitas inéditas, de 16 artistas brasileiros e internacionais, e propõe uma reflexão sobre a terra como matéria viva, força política e experiência sensorial.
A seleção cruza nomes centrais da arte contemporânea internacional, como Richard Long, um dos pioneiros da land art, Not Vital e Isaac Julien, com artistas fundamentais do circuito brasileiro, entre eles Brígida Baltar e Amelia Toledo. O conjunto também inclui criadores de diferentes regiões do país que vêm ganhando destaque em bienais como a das Amazônias e do Mercosul.
Presente em pinturas, desenhos, esculturas, fotografias e videoinstalações, o elemento terra atravessa toda a exposição – seja como matéria física, seja como representação simbólica. Para além do olhar, “Telúricos” ativa outros sentidos: a mostra inclui esculturas olfativas e sonoras, ampliando a experiência do corpo no espaço expositivo.

A exposição se insere na pesquisa de Ana Carolina Ralston sobre as relações entre natureza e tecnologia e dialoga com o pensamento do filósofo Bruno Latour, para quem a matéria terrestre não é apenas suporte, mas um agente ativo, capaz de provocar transformações e insurgências.
Logo na primeira sala, o público encontra a escultura “Moon” (2017), de Not Vital (um grande disco de mármore branco com 1,60 metro de diâmetro) ao lado de três obras recentes de Richard Long, criadas a partir de madeira recolhida pelo artista, combinada com tinta acrílica e argila.
Nas paredes, duas pinturas inéditas de Ana Sant’anna, “O instante que paira” e “Nut” (2025), apresentam paisagens que misturam imaginário e camadas telúricas.
Entre os destaques históricos estão a videoinstalação “Enterrar é plantar” (1994), de Brígida Baltar, que registra a ação da artista ao enterrar suas próprias memórias, acompanhada de dois desenhos sem título, e a instalação “Canto das ametistas” (2001), de Amelia Toledo, em que blocos minerais no chão têm sua força refletida e ampliada por painéis de aço inox.

No grande espaço com pé-direito duplo, a parede frontal é ocupada pela fotografia “Under Opaline Blue (Stones Against Diamonds)” (2015), de Isaac Julien, com 1,80 metro de altura, reforçando a presença monumental da matéria e do corpo na exposição.
Com artistas de diferentes gêneros, gerações, territórios e suportes – entre eles Alessandro Fracta, amorí, C. L. Salvaro, Denise Alves-Rodrigues, Felipe Góes, Felippe Moraes, Flávia Ventura, Karola Braga, Kuenan Mayu e Lia Chaia —, “Telúricos” convida o público a repensar a política, o corpo e a existência a partir do chão que pisamos.
Nara Roesler – Av. Europa, 655 – Jardim Europa, São Paulo, SP.



