
A Galeria Marília Razuk, em São Paulo, abre no próximo dia 7 a exposição “O Ovo como uma Esfinge”, individual de Thiago Rocha Pitta. A mostra reúne afrescos, esculturas e instalações que aprofundam a investigação do artista sobre transformação, tempo e matéria.
Um dos eixos centrais da exposição é o uso do afresco, técnica histórica que o artista estudou na Itália e que passa a ocupar papel estruturante em sua produção recente. Ao pintar sobre argamassa úmida, Rocha Pitta integra o pigmento à própria parede, tornando a cor parte física da obra. O gesto é preciso, mas o resultado nunca é totalmente controlável: umidade, temperatura e absorção interferem no acabamento final.

Ao recorrer a um procedimento associado à tradição e à permanência, o artista não busca resgatar o passado, mas tensioná-lo. A matéria não aparece como representação da natureza, ela é natureza em ação.
Segundo a curadora Camila Bechelany, os elementos presentes nas obras não operam como símbolos, mas como forças ativas que continuam a agir no espaço expositivo.

Na mostra, a galeria deixa de ser apenas suporte e se torna ambiente. As obras incorporam processos de transformação e sugerem que a paisagem não é cenário fixo, mas acontecimento contínuo, atravessado por tempo geológico, memória e experiência sensível.



