
A fotografia deixa de ser registro e vira matéria de construção visual na exposição “Cada hora faz sua sombra”, de Rogério Medeiros, que abre ao público em 21 de março, na Galeria Estúdio Reverso, com curadoria de Catalina Bergues.
A mostra reúne cerca de 30 obras, entre trabalhos produzidos ao longo de duas décadas e produções inéditas. A proposta não é retrospectiva. O projeto aproxima séries de períodos diferentes e apresenta a produção atual do artista.
As obras colocam em diálogo fotografias, colagens e experimentações que partem da fotografia. Em parte da produção, Medeiros trabalha com ampliação de cor e desmontagem da imagem fotográfica.

Segundo a curadora, a exposição reorganiza séries produzidas ao longo de 30 anos. “Olhando a produção de Medeiros dos últimos 30 anos, é possível notar como aspectos do seu trabalho atual já estavam presentes lá atrás. Esta exposição mescla e reorganiza as séries, criando aproximações a partir de elementos e cores que retornam ao longo de sua trajetória. Rogério começou usando a fotografia para enquadrar o fora. Agora, ao chegar à sua série atual, ele usa a imagem exterior para olhar para o dentro.”
A trajetória do artista acompanha uma mudança no uso da fotografia. A imagem deixa de funcionar como registro e passa a ser tratada como material para novas construções visuais.
Medeiros afirma trabalhar com fotografia desde cedo. A produção autoral começou em 2003. A natureza passou a orientar suas imagens e pesquisas visuais. Ao longo do tempo, o artista desenvolveu uma abordagem abstrata dentro da fotografia. “Minhas referências, que antes eram fotógrafos e pintores clássicos, passaram a ser os expressionistas abstratos do pós-guerra, principalmente os da Escola de Nova York”, afirma.
Após lançar o livro “Ritmo e Gesto”, Medeiros incorporou o gesto manual ao processo. O artista passou a produzir colagens a partir de fotografias de paisagens. As imagens são recortadas e recombinadas, criando novas composições.
O trabalho também passou a incluir fotografias do céu. “A busca por novos elementos para trabalhar as colagens me levou a fotografar o céu e sua paleta de cores. Passei a me interessar por uma simplificação visual, lidando com o registro da luz conforme hora, latitude e condições climáticas. Relacionar isso com o tempo e suas implicações para cada indivíduo foi uma sequência natural”, explica.

No processo de produção, Medeiros utiliza papéis de algodão, arroz e perolado para impressão com pigmentos minerais. O artista também emprega cartões, placas, cola, fitas livres de ácido e pasta de papel.
A organização da exposição segue uma sequência de cores associadas ao ciclo do dia. O percurso começa no branco, passa pelo azul claro, segue para laranja e violeta, avança para azul escuro e termina no preto.
Galeria Estúdio Reverso – Rua Domingos Fernandes, 88, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP.



