
A peça “Uma velha canção, quase esquecida”, da autora irlandesa Deirdre Kinahan, está em cartaz no Sesc Pompeia até 24 de maio. Com direção e tradução de Domingos Nunez e montagem da Cia Ludens, o espetáculo será apresentado às quartas, quintas e sábados, às 20h; sextas, às 16h e 20h; e domingos, às 18h.
Concebida para dois atores (que interpretam versões jovem e idosa do mesmo personagem), a montagem aborda a doença de Alzheimer a partir da trajetória de um ator em declínio cognitivo. Em cena, Genezio de Barros vive o protagonista, que escreve repetidamente na tentativa de preservar memórias, enquanto Iuri Saraiva interpreta sua versão mais jovem. A narrativa se desenvolve durante um concerto em um asilo, onde o personagem busca reconstruir lembranças da carreira, da família e de relações afetivas.

A encenação explora o avanço da demência e seus efeitos sobre memória e comportamento, incorporando recursos metalinguísticos, como a leitura, em cena, de anotações feitas pelo próprio personagem. A duplicação em cena funciona como ferramenta dramatúrgica para representar a fragmentação da identidade e a dificuldade de retenção de lembranças.
A trilha sonora original, assinada pelo violonista Mario da Silva, tem papel central na construção da narrativa. Em cena, os músicos Aline Reis, Mafê e Vinícius Leite participam ativamente da ação, inicialmente como parte de um concerto no asilo, mas gradualmente revelados como projeções da mente do protagonista.
Além da música, o espetáculo utiliza elementos sonoros e linguísticos para ampliar a experiência sensorial, explorando desde a palavra escrita até o silêncio como recursos dramatúrgicos para representar os efeitos do Alzheimer.
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo, SP.


