
Segurando uma placa com seu nome escrito em letras de forma, Mouhamed Harfouch desafia a plateia a pronunciar seu nome. É assim que o ator abre o monólogo “Meu Remédio”, que ele próprio escreveu, produziu e estrela com a direção de João Fonseca. Em cartaz no Teatro Multiplan Morumbi Shopping, o espetáculo passa por temas como identidade, pertencimento e herança familiar para explorar a ideia de que “um nome nunca é só um nome”.
Desde a sua estreia em janeiro de 2025, “Meu Remédio” já passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo e outros pontos do interior do estado. Agora, a peça retorna à capital paulista para o que será sua última temporada por aqui. Além disso, sua trajetória também resultou em premiações importantes como o Prêmio Fita de melhor dramaturgia e o Prêmio Arcanjo de teatro solo.
Usando como ponto de partida a noção de que seu nome não é tão comum no Brasil, Mouhamed resgata suas próprias memórias para explicar como sua relação com seu nome mudou ao longo de sua vida. A começar pela tensão que acompanhava as listas de chamada na escola, temendo a pronúncia dos professores. Também passando pelo constrangimento de corrigir a pronúncia de “Mouhamed”, assim como eventuais confusões causadas por essas situações. Tudo isso permeado por uma incrível quantidade de bom humor que cria uma conexão muito sincera com o espectador.

Outro tema que aparece com frequência ao longo de “Meu Remédio” é a relação do autor com as culturas às quais ele pertence. Vivendo entre sua família materna portuguesa e sua família paterna síria, Mouhamed revela choques culturais que ele mesmo sentia ao lado de outros elementos de suas culturas das quais ele lembra com emoção e orgulho. Por exemplo, ele aborda com humor a ocasião em que sua avó paterna, durante uma visita ao Brasil, foi à praia completamente vestida e passou a ser observada por outros banhistas. Já em outra cena, ele se recorda dos quitutes que enchiam as malas de parentes em viagens e traziam o sabor da Síria com elas.
Essa combinação cria uma visão muito única e extremamente pessoal sobre sua própria herança cultural que acerta muito ao não fugir da complexidade. E em certos momentos, o humor cede espaço para a reflexão pessoal mais intensa, fazendo um convite para que o espectador revisite suas próprias origens, independentemente de quais sejam elas.
Durante o monólogo, rimos de cenários engraçados, como a dificuldade de flertar por telefone ou a adoção de apelidos como “meu remédio”. Mas ao mesmo tempo, somos levados a enxergar como a relação de Mouhamed Harfouch com seu nome evoluiu e ganhou profundidade. Por fim, esse percurso culmina em um abraço caloroso de tudo que ele carrega e revela sobre suas origens e sua identidade.
Teatro Multiplan Morumbi Shopping: Avenida Roque Petroni Júnior, 1089. De 25 de julho a 05 de setembro. Ingressos à venda pela Sympla.



