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Briga na família Del Vecchio coloca em risco a EssilorLuxottica

por Carol Hungria
30/07/2026
Tempo De Leitura: 4 minutos de leitura
Óculos Ray-Ban Meta – Foto: Reprodução/Instagram/@essilorluxottica

Com informações da Bloomberg

Leonardo Del Vecchio construiu uma das maiores fortunas empresariais da Europa e tentou garantir que ela sobrevivesse intacta após sua morte. Em vez disso, conflitos familiares ameaçam desmantelar seu legado, avaliado em mais de 40 bilhões de euros (US$ 46 bilhões).

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O fundador da EssilorLuxottica SA designou oito herdeiros e confiou a um grupo de conselheiros de longa data a supervisão do império de óculos após seu falecimento. O que ele não previu foram quatro anos de disputas entre os recém-tornados multibilionários e as divergências entre seus principais executivos – nem a tentativa frustrada de destravar o impasse feita por seu filho homônimo, Leonardo Maria Del Vecchio, um empreendedor e DJ ocasional que recebe rappers como 50 Cent e French Montana em suas casas noturnas Twiga.

A desavença gerou uma crise de governança em uma das empresas mais importantes da Itália. A holding familiar Delfin Sarl é a maior acionista tanto da EssilorLuxottica quanto do banco mais antigo do mundo, o Banca Monte dei Paschi di Siena SpA. Discussões para resolver a questão da herança de Del Vecchio poderiam levar a família a separar a participação na gigante do setor de óculos de seus investimentos financeiros, segundo pessoas a par do assunto, mas as brigas aumentam o risco de uma separação tumultuada.

“Um conflito acirrado entre os herdeiros dentro da Delfin pode colocar em risco o patrimônio de Leonardo Del Vecchio e seu legado industrial”, afirmou Roberta Crivellaro, sócia-diretora do escritório de advocacia Withers na Itália, especializada em planejamento sucessório e aquisições familiares. Em retrospecto, disse ela, colocar todos os herdeiros no mesmo patamar, apesar dos interesses distintos e da grande diferença de idade, “foi um erro”.

No início deste ano, o emaranhado de disputas parecia caminhar para uma resolução. Leonardo Maria, o quarto de seis filhos do magnata do setor de óculos, propôs comprar as participações de dois irmãos, Luca e Paola. O plano, avaliado em 10 bilhões de euros, daria a Leonardo Maria uma participação de 37,5% na empresa da família e abriria caminho para o encerramento do processo de sucessão do patrimônio de seu pai. A proposta foi aprovada em votação pela família em abril, mas acabou perdendo força na sequência.

Uma queda nas ações da EssilorLuxottica – proprietária da Ray-Ban e parceira da Meta Platforms Inc. no desenvolvimento de óculos inteligentes com IA – complicou os esforços de financiamento ao reduzir o valor dos ativos da Delfin. Leonardo Maria, de 31 anos, também tentou incluir cerca de 1 bilhão de euros de suas dívidas existentes no pacote, mas o conselho da Delfin, dividido, não quis se comprometer a garantir a operação caso Leonardo Maria entrasse em inadimplência.

As ações da EssilorLuxottica, que caíram 2,1% na quarta-feira (29.07) após a empresa divulgar vendas no segundo trimestre abaixo das estimativas dos analistas, estão 49% abaixo da máxima atingida em novembro, quando o otimismo dos investidores em relação à parceria de óculos com IA estava no auge. A queda no valor de mercado representa uma redução de 23,4 bilhões de euros no maior ativo individual do portfólio da família Del Vecchio.

Após demonstrar insatisfação com o conselho da Delfin, Leonardo Maria reorganizou sua estratégia. Ele reformulou a gestão de sua empresa, a LMDV Capital, e está trabalhando em um refinanciamento de 1,1 bilhão de euros com a Apollo Global Management Inc. Segundo pessoas a par do assunto, nos termos em discussão, a linha de crédito poderia ser ampliada para 10 bilhões de euros no futuro, proporcionando-lhe liquidez para aproveitar eventuais oportunidades que surjam.

As negociações continuam em torno de uma ideia alternativa: separar a participação principal no setor de óculos das ações dos setores bancário e de seguros, que poderiam ser vendidas para levantar recursos para membros da família ou para reorganizar a Delfin.

Essa abordagem foi proposta por Rocco Basilico, meio-irmão de Leonardo Maria, mas há resistência interna à venda de qualquer um dos investimentos financeiros da Delfin enquanto o setor bancário italiano passa por uma onda de consolidação, disseram as fontes.

A família busca contratar um consultor externo experiente para ajudar a mediar as discussões e chegar a um acordo, acrescentaram as fontes. “Uma possível solução para as controvérsias seria a Delfin recomprar as participações daqueles que buscam sair para seguir com seus respectivos family offices”, disse Crivellaro.

As participações financeiras da Delfin, avaliadas em cerca de 16 bilhões de euros, conferem à família uma influência que vai além dos negócios e alcança a economia e a política da Itália. A joia da coroa é sua participação na Assicurazioni Generali, uma das maiores seguradoras da Europa, além de investimentos no UniCredit SpA e no Monte Paschi – o banco que está no centro da mais recente onda de negociações do setor bancário italiano.

Tags: Apollo Global Management Inc.Banca Monte dei Paschi di Siena SpA.Delfin SarlEssilorLuxotticaEssilorLuxottica SALeonardo Del VecchioLeonardo Maria Del VecchioMetaMeta Platforms Inc.óculosRay-BanRoberta CrivellaroRocco BasilicoWithers
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