
Em comemoração aos seus 35 anos, o grupo Parlapatões apresenta o espetáculo inédito “Arlequim, Servidor de Dois Patrões”, uma releitura cheia de brasilidades do clássico de Carlo Goldoni, com direção de Hugo Possolo. A estreia será no teatro do Sesc Bom Retiro, com temporada que permanece de 2 de outubro a 15 de novembro, às sextas, sábados e domingos. A montagem faz do riso uma ferramenta de reflexão, provocando um olhar crítico sobre as desigualdades sociais e a fome.
A clássica história do astuto Arlequim que, para conseguir um prato de comida, passa o tempo se dividindo entre as solicitações de dois patrões, vem inspirada na Commedia dell’Arte, mas não exatamente em sua estrutura histórica formal conhecida. A montagem do Parlapatões traz elementos indispensáveis, como o improviso e a ideia do arquétipo, mas faz uma mistura com uma visão bastante contemporânea e brasileira, na narrativa e na estética.
O protagonista, vivido por Possolo, continua como arquétipo fundamental para se compreender o que é a esperteza de quem vive na pobreza, com humor e lirismo.
Sem sair da época e do local onde transcorre a trama original, os Parlapatões se valem da arte da palhaçaria para encenar uma aventura lúdica e cômica com elementos da cultura popular brasileira, acrobacias e música, inclusive com composições originais de Alexandre Dalóia. Em cena, as máscaras dão lugar à maquiagem, a renda e o bordado dão espaço ao fuxico e a cores vibrantes, trazendo um clima festivo e circense.
As referências diretas à nossa cultura estão pelo cenário, figurino e dentro da narrativa: objetos populares, religiosos, artes visuais ou pontos turísticos, assumindo uma adaptação antropofagicamente abrasileirada.
A encenação de Possolo traz as situações da peça original em diálogo com o Brasil de hoje e suas contradições sociais. “Escolhemos essa peça porque ela é celebrativa, popular e porque trata de um tema que parece que as pessoas abandonaram: que é a fome. O teatro é político e é completamente brincalhão, sem ficar na lamúria, mas valorizando o que a pobreza tem de inteligência para sobreviver, que é a principal característica do Arlequim. Ele é o cara que sobrevive com a famosa jornada dupla, que hoje a gente conhece tão bem, algo que antes era antiético, mas hoje é normal para as pessoas”, explica Possolo, que vem fazendo preparo físico para interpretar Arlequim.
O elenco já tradicional dos Parlapatões, com Alexandre Bamba, Camila Turim, Henrique Stroeter e Tadeu Pinheiro, ganha reforço com artistas convidados como Rachel Ripani, Jéssica Turbiani e Robert Gomez.
“Para nós, uma comemoração em grande estilo é dividir com o público a essência da linguagem que costura toda a nossa história: a arte da palhaçaria. E, nos juntamos ainda às comemorações de 80 anos do Sesc. É um prato cheio, com e sem trocadilhos, para a comicidade que sempre buscamos, a de um riso transformador”, diz Possolo.
O Parlapatões foi fundado em 1991 e, neste ano, celebra 35 anos de trajetória, com 71 espetáculos produzidos e mais uma série de mostras, eventos e festivais. O grupo tem como característica a palhaçaria, o teatro de rua e popular, sempre buscando inovar a linguagem e ampliar o alcance de público. Já o Espaço Parlapatões, na Praça Franklin Roosevelt, centro da capital paulista, comemora também 20 anos de atividades.
Sesc Bom Retiro – Alameda Nothmann, 185, Campos Elíseos, São Paulo, SP.



