
A modelo Naomi Campbell venceu, nesta quinta-feira (01.10), o recurso contra uma proibição de cinco anos de atuar como administradora de uma organização beneficente; um tribunal de Londres decidiu que o uso indevido de fundos na organização que ela fundou havia sido ocultado dela.
Campbell, um dos rostos mais conhecidos do mundo da moda, fundou a Fashion For Relief em 2005 com o objetivo de arrecadar fundos para causas humanitárias por meio de desfiles de moda. No entanto, a organização foi removida do registro da Charity Commission (órgão regulador de instituições de caridade no Reino Unido) em 2024, e Campbell foi proibida de atuar como administradora logo em seguida, após denúncias de má gestão e conduta inadequada.
A Charity Commission constatou uma má gestão financeira generalizada, incluindo o uso de recursos arrecadados para boas causas no pagamento de tratamentos de spa, cigarros e serviço de quarto durante a estadia de Naomi Campbell em um hotel cinco estrelas perto de Cannes, no sul da França, em maio de 2018. Um advogado que atuava como administrador da organização também recebeu cerca de 290 mil libras esterlinas (US$ 382.771) em pagamentos não autorizados, a título de supostos honorários de consultoria.
Campbell, por sua vez, afirmou não saber que fundos da organização haviam sido utilizados para cobrir suas despesas pessoais e alegou ter sido enganada por outro administrador a respeito dos pagamentos não autorizados. Seu recurso foi aceito pelo tribunal de primeira instância, que reconheceu em sua decisão a existência de “má conduta grave e má gestão” na Fashion for Relief, mas concluiu que os pagamentos não autorizados e o uso indevido de recursos haviam sido ocultados da top.
O tribunal também concluiu que Campbell “não foi responsável pelo uso inadequado dos recursos da organização ou por quaisquer despesas injustificadas” durante sua estadia no hotel em 2018. O tribunal acrescentou que ela “compartilhava a responsabilidade final pela falha da organização em manter atas adequadas e apresentar suas contas no prazo”, mas decidiu que isso não a tornava inapta para atuar como administradora de uma organização beneficente.
Representantes de Campbell e da Charity Commission não se manifestaram de imediato.



