
Na Japan House São Paulo, a cerâmica japonesa vira tema da exposição “Cerâmica em Curso” para contar sua história milenar. O ponto de partida é o Rokkoyō (六古窯), conjunto de seis fornos de cerâmica tradicionais em atividade contínua no Japão desde o século 12. Ao redor de cada um desses fornos se desenvolveu um polo de ceramistas com as suas técnicas e características únicas. Desde 2017, o Rokkoyō é reconhecido pelo governo japonês como parte da herança cultural do país.
O percurso da exposição acontece no segundo andar da Japan House e começa com duas obras antigas. A primeira do período Jōmon com seus mais de três mil anos de idade. Já a segunda acumula 453 anos de história e pertence ao período Muromachi. A partir desta base histórica, ela se volta para apresentar diferentes manifestações da cerâmica na vida prática. Em seguida, complementa essas manifestações com seis amostras de argila, cada uma de um dos polos de ceramistas do Rokkoyō.
Tudo isso sem deixar de lado as práticas de construção dos fornos e os esmaltes usados para finalizar as peças. Ao mesmo tempo, a mostra também se volta para obras contemporâneas produzidas pelas mãos de seis ceramistas japoneses que expõem pela primeira vez na América Latina. Masamichi Yoshikawa, Taiga Mori, Toyokazu Yoshida, Tomoya Sakai, Yuji Ueda e Masahiko Ichino, cada um representando um dos polos do Rokkoyō, evidenciam o que os tornam únicos no universo da cerâmica.
Natasha Barzaghi Geenen, diretora cultural, e Carolina De Angelis, supervisora cultural, são as responsáveis pela curadoria da exposição. A dupla conta que a vontade de dedicar um espaço para abordar a cerâmica japonesa acompanha a Japan House São Paulo desde a sua fundação em 2017. Mas, nove anos depois, sentindo-se maduras para tratar do tema e em preparação para eventos futuros, esse plano finalmente saiu do papel.

Carolina explica que o Rokkoyō surgiu como ponto importante logo em 2024 como uma solução para destacar o processo de produção dos ceramistas, e não apenas o seu trabalho finalizado. “A gente entendeu que sempre se associa a cerâmica a um objeto utilitário ou uma obra já pronta”, afirma ela, “Mas a cerâmica, no Japão ainda, tem tantos modos de fazer, tantas localidades que são polos produtores de cerâmica, que achamos interessante mostrar um pouco dessa variedade e diversidade”.
Adicionalmente, Natasha comenta que buscou por formas de abranger tanto conhecedores da arte quanto o público leigo da maneira que mais fizesse sentido para cada um deles. A princípio, aqueles não tão familiarizados com a cerâmica têm a chance de descobrir sobre seu nascimento, desenvolvimento e identidades únicas. Por outro lado, os visitantes “especializados” recebem o olhar técnico sobre argilas, tipos de fornos, queimas e vernizes. Por fim, Natasha conclui com: “É uma arte em desenvolvimento. Na verdade, os preceitos básicos e tradicionais são mantidos, mas são reinterpretados constantemente”.
Japan House São Paulo: Avenida Paulista, 52, São Paulo, SP. De 06 de outubro a 30 de maio de 2027. Entrada gratuita.



