
O ator Vladimir Brichta estreia seu primeiro monólogo, “O Menor Palco do Mundo”, no Teatro Vivo, em São Paulo, com temporada de 10 a 31 de outubro. Inspirado na história real do autor australiano Kim Crotty, o espetáculo aborda paternidade, separação familiar e os desafios de manter os vínculos afetivos à distância. A montagem tem direção de Luiz Felipe Reis, que também assina a dramaturgia ao lado de Paula Picarelli.
A peça acompanha a experiência de Crotty, um pai que, após cometer um erro e ser preso, precisa encontrar uma maneira de continuar presente na vida dos filhos. Impedido de conviver com as crianças, ele começa a inventar histórias e enviá-las por cartas. As narrativas se tornam uma forma de comunicação e de preservação dos laços familiares durante o período de afastamento.
Idealizado por Aura Cunha e Paula Picarelli, o projeto surgiu do interesse em discutir a relação entre pais e filhos, especialmente as dificuldades masculinas de expressão emocional. As duas conheceram a história de Crotty por meio de uma reportagem sobre sua obra.
“O que nos mobilizou de imediato foi a possibilidade de falar sobre paternidade e, principalmente, sobre essa distância que muitas vezes existe entre os homens e seus filhos, uma distância que não é apenas física, mas também emocional”, explicam as idealizadoras.
Para Brichta, a história ganhou significado especial pela maneira como trata as consequências de uma separação familiar. O ator destaca que, além da punição enfrentada pelo personagem, existe uma perda que não estava prevista: a impossibilidade de acompanhar o cotidiano dos filhos. “Fui tocado de imediato pela premissa do espetáculo, um homem, um pai, que comete um erro e precisa pagar por ele. Mas o preço não contabilizado é a distância dos filhos que tanto ama e também uma reflexão profunda sobre paternidade e amor, sob o signo da dor da distância, mas também do lúdico do diálogo e da conexão com nossos filhos quando pequenos”, afirma.

Ao assumir seu primeiro trabalho solo no teatro, Brichta também estabelece uma aproximação entre a experiência do autor australiano e questões relacionadas à realidade brasileira. Para o ator, a adaptação precisava incorporar elementos pessoais de quem leva a história ao palco. “Um relato tão pessoal e comovente como o de Kim só faria sentido aqui, do outro lado do mundo, se também permeado por alguma pessoalidade de quem a conta, com as particularidades de se viver no Brasil”, observa.
A direção de Reis parte justamente desse encontro entre as experiências de dois pais, um australiano e um brasileiro, para abordar temas como solidão, saudade, fragilidade e as consequências das escolhas individuais.
Segundo o diretor, o espetáculo coloca seus personagens diante da necessidade de revisitar as próprias histórias, crenças e comportamentos. A proposta é investigar como os homens lidam com sentimentos frequentemente associados à vulnerabilidade e de que maneira essas dificuldades interferem nas relações familiares.
A montagem também questiona os modelos de masculinidade transmitidos entre gerações. Ao examinar as histórias, os heróis e os exemplos de coragem apresentados aos meninos desde a infância, a peça discute uma educação que muitas vezes associa a identidade masculina à força e à invulnerabilidade, limitando o espaço para manifestações de medo, fragilidade e afeto.
“O Menor Palco do Mundo” tem apresentações às sextas-feiras e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h.
Teatro Vivo – Av. Chucri Zaidan, 2.460, Morumbi, São Paulo, SP.


