
Abrindo mais uma edição do São Paulo Fashion Week, Alexandre Herchcovitch apresenta sua coleção direto das salas de aula/ateliês da Faap, em São Paulo. Sentimental a seu modo, a passarela em tapeçaria estampada de ar anos 1970 já anunciava um olhar “paz & amor”, boho, que instigava os amantes da marca.
O DNA ousado, transgressor, rebelde e sexy é combustível para acender tamanha sensibilidade, romance e delicadeza de corações e rendas. As transparências revelando o corpo colocam a roupa na posição menos protetora possível, pois se vê a alma de quem usa, e acredito ser a grande sacada desta temporada.
Após tanta introspecção, autoconhecimento, terapia e cancelamentos pelas redes, o medo de se expor começa a deixar de existir e a autoestima volta à cena, dando vez e voz para o que de fato somos: uma mensagem traduzida pela mistura de streetwear, alfaiataria clássica e vestidos sob medida com fila de espera no ateliê do estilista.
E ninguém é perfeito, então a transgressão de Alexandre foi explorar volumetrias fora do óbvio de forma sutil e pontual, com pregas, plissados, recortes e sobreposições megainteressantes. A geometria dos xadrezes surge em tamanhos variados e cria uma ilusão óptica, ao mesmo tempo que a cartela remete à década libertária.
Nylons substituem os gabardines clássicos dos conjuntos de alfaiataria trazendo leveza, assim como o visual vitoriano e renascentista dos vestidos ganha companhia de texturas peludas acarpetadas em moletons, coletes e golas. Uma abertura leve desse SPFW que você acompanha a cobertura aqui no CHNews – e, para o Alê, mais uma coleção memorável!
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