
O estilista João Pimenta apresentou, na noite de quinta-feira (15.10), dentro do line up do São Paulo Fashion Week, uma coleção que reinterpreta a alfaiataria clássica ao expor justamente aquilo que, tradicionalmente, permanece oculto. Estruturas internas, pontos de base e recursos técnicos do fazer alfaiate deixam de ser segredo de ateliê e assumem papel de protagonistas na passarela.
Alinhavos aparentes, pregas invertidas e entretelas à mostra formam um novo vocabulário visual, em que o avesso ganha status de ornamento. Técnicas típicas da construção de ternos – como costuras em espinha de peixe e em pé de galinha, usadas para dar firmeza e sustentação ao tecido – são deslocadas de sua função estritamente funcional e passam a desenhar bordados e grafismos sobre smokings e trajes de festa.
Com uma paleta concisa, centrada em branco, preto e cinza, a coleção reforça o contraste entre rigor e experimentação. Lã fria, linho e couro aparecem em propostas que rompem com a silhueta tradicional do terno masculino. Paletós se desdobram em macacões e bodies, deslocando o blazer para um lugar quase escultural no corpo. Calças e bermudas ganham volume e construção inusitada, com pregas ao contrário, sobreposições complexas e forros deliberadamente expostos, criando movimento e camadas de leitura.
Embora radical na proposta, a coleção preserva a tradição no modo de fazer: todas as peças são confeccionadas à mão, em processos que remetem ao sob medida de alfaiataria.
Entre as referências que norteiam o trabalho, o estilista se volta para o jazz e para a elegância discreta dos músicos, imaginando-os com mais liberdade de forma e atitude.
O resultado é uma linha que tensiona os limites da alfaiataria masculina tradicional, transformando um território historicamente rígido em campo de experimentação estética, sem abrir mão da precisão técnica que sempre definiu o ofício do alfaiate.
Veja mais na galeria:



