
A Terrible Enfant, marca de calçados e acessórios em couro fundada em Buenos Aires no início da década de 2010, iniciou em neste mês sua operação no Brasil. Conhecida por atender músicos, artistas e figuras da cena cultural e política na Argentina, a empresa escolheu São Paulo como ponto de partida para o plano de expansão para outros países.
A grife mantém sua loja na rua Arroyo, na capital argentina, e passa a operar também em uma sapataria na Vila Buarque, na região central paulistana.
A chegada ao mercado brasileiro ocorre com um modelo de produção baseado em trabalho feito à mão, com etapas conduzidas por artesãos formados em oficinas em que o ofício passa de mestre a aprendiz.
Cada par utiliza couro oriundo de sistema de criação em pastagens naturais na Argentina, com curtimento vegetal feito com extratos de plantas. Segundo a empresa, esse arranjo inclui rastreabilidade junto a fornecedores e compromisso com práticas de manejo consideradas tradicionais por criadores rurais.
“Fazemos sapatos da mesma maneira há mais de 15 anos, com pessoas que aprenderam o ofício com quem veio antes delas. Chegar a São Paulo não muda esse tempo de fazer; muda com quem conversamos. O encontro com mentes criativas brasileiras amplia nossas fronteiras de criação e de proposta”, afirma o fundador da marca, Hache Caillaud.
Em São Paulo, o primeiro lote reúne sapatos, mocassins, cintos e outros itens em couro, com numeração adaptada ao padrão brasileiro, além de um serviço de encomendas sob medida com prazo de cerca de 60 dias.
O plano de negócios no país prevê a abertura de cinco pontos físicos em três anos, além de expansão para cidades como Rio de Janeiro e Brasília e lançamento de comércio eletrônico com alcance nacional, apoiado em logística aérea e equipe local.
“O Brasil sempre foi o caminho natural para a nossa internacionalização. Trabalhei no país por quase dez anos e conheço bem a sofisticação e o nível de exigência do público daqui, que valoriza design e qualidade. Essa chegada a São Paulo se apoia em uma afinidade cultural legítima e no interesse genuíno de colaborar com a potência criativa do país”, diz Mariano Boris Borg, diretor criativo e sócio da Terrible Enfant.



