
Pouco mais de um mês após apresentar seu novo conceito de loja, que serviu de cenário para o desfile da coleção de verão 2027, assinado por Demna, a Gucci implementou esse design em seu primeiro endereço: a Avenue Montaigne, em Paris. Dos materiais ao mobiliário e ao visual merchandising, a flagship em tamanho real, originalmente montada em um centro de convenções em Milão para o desfile, ganhou vida.
A boutique, situada no número 56, substitui a unidade anterior da marca – localizada a apenas dois imóveis de distância – e marca o início de uma expansão global; novas lojas com esse design renovado têm inaugurações previstas em Londres, Xangai e Chengdu até o final do ano.
Para Francesca Bellettini, isso significou traduzir a nova visão de Demna para a Gucci em tempo recorde. Ela foi nomeada presidente e diretora executiva da grife italiana em setembro de 2025, e a primeira coleção completa do estilista chegou às lojas no início deste ano.
A empresa controladora, Kering, havia adquirido o imóvel em 2023, antes de formar uma joint venture com a Ardian – parceria que conferiu à empresa de private equity uma participação majoritária em um portfólio de ativos imobiliários de alto padrão, incluindo o endereço na Avenue Montaigne.
A capital francesa é um local estratégico para a Gucci, que também está construindo uma mega-loja principal perto da Place Vendôme, com previsão de inauguração para o final do próximo ano.
O conceito da loja foi fruto de uma colaboração entre Demna, Bellettini e as equipes de varejo, combinando a disposição de um palácio do Renascimento italiano, referências arquitetônicas milanesas e uma experiência do cliente pautada pela noção de descoberta.
Os quatro andares, que abrangem aproximadamente 1.486 metros quadrados, refletem uma abordagem italiana ao design de interiores que transita por diferentes épocas, semelhante ao salão privado e ultraexclusivo que Aldo Gucci criou acima da loja principal da marca na Quinta Avenida, em Nova York, no final da década de 1970.
O interior da loja evoca, alternadamente, a arquitetura monumental da década de 1930, com revestimentos de parede em pedra Ceppo di Gré de textura bruta, remetendo ao estilo do arquiteto milanês Piero Portaluppi, a opulência dos ambientes renascentistas – por meio do uso de mármore, pedras verdes e bronzita – e a elegância despretensiosa das residências milanesas entre as décadas de 1950 e 1970, marcada por acabamentos em metal polido e madeira.
O edifício, que data do início do século 20, integra duas antigas boutiques, anteriormente separadas por uma varanda, a um apartamento privativo. Este último abriga, no segundo andar, o Gucci Appartamento, um espaço dedicado a atendimentos exclusivos.
O corredor de entrada termina em um grande baixo-relevo inspirado na estética equestre clássica da Gucci, um elemento que aparecerá em outras lojas, com variações temáticas adaptadas a cada localidade. Vitrines, no estilo de museu, exibem versões de modelos clássicos, tanto de coleções passadas quanto atuais.
Os ambientes frontais exibem bolsas e artigos de viagem, enquanto a parte de trás abriga peças de vestuário, artigos de seda, óculos e fragrâncias – embora o layout tenha sido planejado para ser flexível. Futuramente, esses espaços poderão ser utilizados para lançamentos de produtos, coleções-cápsula e extensões de marca, a exemplo da coleção Gucci Racing, que está em desenvolvimento.
O piso inferior é dedicado às coleções masculinas e combina revestimentos de parede de aspecto rústico com um teto que imita pedra. Em contrapartida, a escadaria de travertino apresenta linhas suaves e arredondadas.
O ambiente principal desse andar organiza-se em torno de um expositor de madeira curvo e escultural, com cerca de 6 metros de extensão – apelidado informalmente de “Biblioteca” -, que, na inauguração, exibia peças de vestuário de um lado e, do outro, a recém-lançada bolsa Horsebit Duomo.
O ambiente seguinte é dedicado à joalheria, um segmento em expansão para o grupo Kering, que planeja detalhar sua estratégia para a área durante o “Kering Jewelry Day”, em Paris, no dia 2 de dezembro. Um novo expositor circular destaca o relógio Bamboo, da Gucci, enquanto a alta joalheria é apresentada mediante agendamento no andar superior.
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