
Simpático, divertido, espontâneo. Assim é o ator Caio Vegatti, que atualmente interpreta o vilão Max, no núcleo jovem de “Família É Tudo”, novela das 19h da TV Globo. Aos 28 anos, e já estreante em audiovisual, Vegatti se preparou para o papel comparando o personagem a si mesmo e enfrentando o desafio de andar de skate, após oito anos parado.
“De cara eu tento identificar quais as semelhanças e diferenças que o personagem tem comigo, e, a partir daí, tento elaborar um denominador comum”, conta Vegatti.
Ele, que não nasceu em uma família de artistas, e tampouco se interessou por arte quando criança, teve que enfrentar os percalços da escolha pela profissão – como falta de apoio da família e muitos nãos após testes e mais testes. Na fala de Vegatti, tudo é um aprendizado, e ele está disposto a desafios maiores – esboça uma peça com um amigo.
Esportista nato, o ator é apaixonado por atividades físicas, como tênis, que joga há dois anos, skate, surfe e outros. Para ele, é uma forma de gastar a energia acumulada e cuidar de seu bem maior: o corpo. “Meu corpo é minha ferramenta de trabalho, é clichê? É, mas é fato.”
Leia a seguir o papo que CHNews teve com o ator via Zoom.
Quando o teatro muda a sua vida? Ou seja, você não era muito das artes quando criança…
Em 2016 foi quando eu comecei fazer minhas aulas de teatro, até então meu contato com isso foi coisa de escola, eu inda não havia pensado se era algo que eu podia usar profissionalmente. Sempre tive muita preocupação em seguir algo que gostasse muito, que me desse prazer. O teatro preencheu um vazio que eu tinha dentro de mim, inseguranças e tal. Depois de dois meses cursando teatro, eu vi que aquilo era o que eu queria para mim, tinha talento e desenvoltura para a atuação. Recebi muito feedback positivo neste sentido por parte dos professores. Embora eu sentisse como algo que me completava, tinha a questão de saber como a minha família reagiria a isso. Cobrança, satisfação, descoberta, surpresa, isso tudo fez parte da minha formação.
Ia falar justamente de sua família. Como foi essa escolha para eles? Porque você cursava engenharia de produção, certo?
Olha, não foi fácil (risos), porque essa profissão exige muito e não é fácil. A família era um degrau que eu tinha que enfrentar. Eu venho de uma família muito batalhadora da zona norte do Rio, São Cristóvão, então eles têm a ideia que trabalho duro gera receita, sempre diziam que eu tinha que ralar e ralar, e não acreditavam muito nessa minha veia artística, ou seja, ator não era uma profissão que eles reconheciam como um caminho. Teve um momento na minha vida que eu tive que fechar meus ouvidos e não ouvir mais os barulhos que vinham de fora, senão eu teria desistido. Mas o fato é que estava sentindo algo de verdade pelo teatro, não era coisa da minha cabeça, eu nunca quis ser famoso, não tinha esse sonho. Eu sempre fui uma criança muito empolgada, sempre queria ser o personagem dos filmes que assistia. Para a minha família não foi fácil, mas eu fui caminhando devagar para conquistar o que queria.
Conte um pouco sobre sua fase no stand up.
É engraçado isso, porque eu sempre fui da comédia, mas os meus personagens sempre foram vilões (risos). Fiz uma coisa ou outra mais leve, voltada ao riso, mas quase sempre fui vilão. Eu gosto de muitos atores, mas dois deles me marcaram bastante, que foram Jim Carrey e Robin Williams, eles fizeram dramas também, mas começaram no stand up, no improviso. E eu queria fazer stand up, e fiz, só que não durou muito porque é um mercado muito fechado, fazer teatro, sobretudo no Rio de Janeiro, não é fácil. E também pelo fato de eu ter de provar para a minha família que eu me sustentava, eu comecei a deixar o stand up de lado e focar na publicidade, que poderia trazer também o meu sustento. Mas foi uma fase da minha vida… Eu tenho uns vídeos no meu computador, foi uma fase muito legal, era algo que eu queria fazer, então pude dar o “check” nesse item.
Como se dá sua entrada no audiovisual? Fale sobre suas inserções na Record, na Globo, no Globoplay.
Sim, eu participei de um episódio de “Sob Pressão” [Globoplay], o qual eu fique muito feliz com o resultado, foi um dos trabalhos mais importantes para mim como artista porque foi bem desafiador. A gente sabe como funcionam as coisas em outras carreiras, você estuda, aplica para estágios, faz estágio e segue sua vida. Na carreira de ator é tudo diferente, é um emaranhado de coisas. Eu providenciei um material a meu respeito e procurei um agente. Comecei a fazer testes. Eu já tinha gravado alguns curtas na universidade, até para criar uma bagagem. Foi quando o meu agente disse que tinha um teste para mim, que era no final da novela “Topíssima”, da Record TV. Foi muito bacana, e assim se deu minha entrada no audiovisual. Depois disso é aquela jornada, faz teste, testes, testes, recebe nãos, até que vem um sim.

E “Família É Tudo”?
Fiz teste também. O Guilherme Gobbi, que é diretor de elenco da TV Globo, entrou em contato como meu agente, disse que tinha um papel que tinha tudo a ver comigo. Um vilão (risos). Foi bem legal conseguir o papel.
Como se preparou para o Max, seu personagem?
De cara eu tento identificar quais as semelhanças e diferenças que o personagem tem comigo, e, a partir daí, tento elaborar um denominador comum. Enquanto o Max é tão ambicioso ao ponto de fazer qualquer coisa para não perder a namorada dele, eu sei que não sou essa pessoa, mas tento notar em mim onde sou ambicioso, e vou dando níveis a essas camadas. Também tem o skate, que eu andava quando adolescente. Eu estava havia oito anos sem praticar. Foi super bom, porque eu super voltei a andar de skate na minha vida pessoal.
Tem sentido retorno do público com o Max?
Olha, eu nunca fui muito de usar a rede X (antigo Twitter), a não ser para ver notícias, mercado financeiro. Mas o pessoal da novela posta bastante. E lá acabei vendo alguns comentários sobre o meu papel. É legal, porque a galera comenta mesmo. Já no Instagram, que é a rede social que eu mais uso, vi comentários também, gente falando “esse cara só faz papel de gente ruim” (risos).

Além da novela, quais são os próximos projetos?
Bem, eu estou escrevendo uma peça com um amigo, será uma coisa para nós dois. Fora isso, o tempo em que você está fazendo novela não dá para dizer sim para várias coisas, por conta do tempo. Teatro foi onde comecei, quero muito fazer teatro novamente. Nossa ideia ainda é bem crua, estamos no começo. Teatro é legal porque é ao vivo, se gostarem você vai sentir, se não gostarem, vai sentir também. Eu também sou um cara muito ligado em esportes, então gostaria de abrir um centro de treinamento. Eu vejo muitos vídeos motivacionais. Às vezes, quando estou mais cansado, assisto a um vídeo desses com uma pessoa que eu gosto e fica tudo bem, isso joga a gente para cima. Eu sou muito ligado em esportes, real. Há dois anos eu comecei a fazer tênis, e está aí uma coisa que eu sou parecido com o Max, sou muito competitivo. Sou 8 ou 80, mergulho fundo no que estou fazendo, e com o tênis foi assim também. Jogo bola, surfo, sou uma pessoa muito do dia. Fazer esportes me torna uma pessoa melhor, gosto da superação, de dar a volta por cima. Me faz tão bem como assistir a um bom filme. Meu corpo é minha ferramenta de trabalho, é clichê? É, mas é fato.



