
Alejandro Claveaux, 41, que atualmente vive o misterioso Jordão em “No Rancho Fundo”, trama das 18h da TV Globo, é o tipo de ator que se adapta facilmente a qualquer papel. Ele vê no trabalho de ator desafios, e os encara para tirar de si o melhor. “O Jordão é um garimpeiro enigmático temido por ser matador, mas ao mesmo tempo cheio de princípios. É desafio construir essas camadas”, conta.
Na novela, Claveaux atua diretamente com Debora Bloch, que interpreta Deodora. A dupla, que já teve seus momentos de romance, tem ainda seu desenrolar em andamento, mas ele diz que seria incrível se os dois ficassem juntos. “Por que não? Eu adoraria! Ainda tem muita água para rolar na novela. Tudo é possível em ‘No Rancho Fundo’.” Questionado se considera Jordão é inescrupuloso, Claveaux defende sua cria, diz que costuma não julgar seus personagens, procura sempre trazer um aspecto de humanidade para cada um deles. “O ser humano tem sempre um pouco de tudo”, ressalta.
O ator goiano, formado em engenharia de alimentos, ramo no qual atuou por três anos, diz que a arte o salvou. “A arte me salvou de diversas maneiras, desde a primeira peça que assisti, e fiquei extasiado com o que vi, até no meu processo quando me descobri ator e por conta disso aprendi a controlar minha gagueira e me comunicar melhor.”

Dono de um inúmeros de personagens na TV, além de cinema e streaming, para ele é difícil selecionar os personagens que mais o marcaram, mas destaca alguns. “É difícil selecionar um trabalho apenas, cada um foi importante em cada momento da minha carreira, destacaria os espetáculos “Clandestinos” e “Gota D’Água a Seco”, e no audiovisual acho que o longa-metragem que vai estrear este ano, “Ruas da Glória”, e a série “Rensga Hits”, onde me diverti muito fazendo o Deivid.” E mais, ele não escolhe apenas uma arte, mas o conjunto delas como complementares. Para ele, o teatro é para se sentir vivo; o cinema para imortalizar; e a TV para praticar.
Em “Rensga Hits” – série do Globoplay cuja primeira temporada passou também na programação da TV aberta (Globo), devido a seu sucesso -, Deivid, na segunda temporada, vai passar por uma reviravolta. “O Deivid é sempre uma reviravolta por si só, está sempre movimentando a trama de forma a trazer uma discussão sobre diversidade. Nessa segunda temporada ele embarca em carreira internacional e compõe canções em espanhol”, língua que Claveaux domina. Sua ascendência uruguaia lhe garantiu fluência no idioma.
No streaming, o ator é o protagonista da série “Desejos S.A.”, do Star+. Para Claveaux, “Desejos” é uma das melhores séries que já fez, ele diz que parece uma “Ilha da Fantasia” modernizada. “Você realiza seus desejos, mas há uma consequência a pagar. O roteiro é impecável, criado pelos argentinos Gaston Duprat e Mariano Cohn. A série tem um humor mais afiado e foi muito bem adaptado para nossa realidade. A direção é do José Alvarenga, parceiro de vários projetos”, conta. “Meu personagem, Josué, tem a tentação e a vontade de transar com a noiva do seu irmão. Isso convence ele a topar a proposta. E, para surpresa dele e do público, o acordo dá certo – apesar de não sair exatamente como o esperado. O problema é que, agora, ele tem que pagar uma parte do trato que não fazia ideia: participar do desejo de outro cliente. Caso não faça isso, sofrerá consequências. Acho que a motivação do Josué para fazer esse pedido varia entre o desejo, tesão, paixão e medo de perder o irmão. É um personagem complexo que como todo mundo, em algum momento, já pensou ou desejou coisas que pela sua própria ética não deveria. Essa é a melhor característica desse personagem, ele é muito humano e o público se identifica com isso e acaba não julgando”, completa.
Sobre a o fato de o streaming abrir potras para atores e diretores, Claveaux é direto: diz que não só abre portas como aumenta o fluxo de diversidade, conectando globalmente as produções audiovisuais. A respeito da representatividade LGBTQIAP+ no audiovisual, ele afirma que as produções acompanham o gosto do público e, socialmente falando, as pessoas parecem estar mais receptivas e abertas. “Estão entendendo a potência de consumo desse público. Mas acredito que ainda falta muita caminhada para que a comunidade LGBTQIAP+ seja realmente representada como deveria”, pondera.
Ainda neste ano, Claveaux vem com papel de peso no cinema, no longa “Ruas da Glória”, em que interpreta um garoto de programa uruguaio. “’Ruas da Glória’ é um trabalho que me orgulho muito. Um filme com temática LGBTQIAP+ que conta a história de um garoto de programa uruguaio que trabalha no tradicional bairro da Glória, no Rio de Janeiro. É uma história de apaixonamento instantâneo, porém densa, pois passa pelo submundo das drogas.”

Para o futuro, além da novela que ele grava até setembro, vai lançar um longa que produziu e atuou chamado “Bocaina”, e tem planos de produzir outro longa-metragem. Questionado sobre como lida com as redes sociais, Claveaux diz ser um ambiente para se comunicar e se expressar. “Há de haver bom senso para para postar e consumir os conteúdos da rede social. É um ambiente com muita informação difusa. Tento me manter atento.” Sobre seu interesse por política é direto – “acha que todo ator é, ou deveria ser, um ser político por essência”.
E o que mais Claveaux gostaria de viver e representar? Ele cita três personagens: “Dos que já existiram na TV, o Odorico Paraguaçu, vivido por Paulo Gracindo em “O Bem Amado”, o Alexandre [Guilherme Fontes], da novela “A Viagem”, e o Tonho da Lua [Marcos Frota], de “Mulheres de Areia”. Vamos esperar que ele venha com um desses, com certeza será mais uma inusitada e interessante interpretação do ator.



