
A Zipper Galeria apresenta, até 13 de junho, duas exposições individuais que investigam a matéria como linguagem e deslocam técnicas tradicionalmente associadas ao corpo e ao fazer manual para o campo da arte contemporânea. No andar principal, Laura Villarosa ocupa a galeria com “Fio d’água”, enquanto o espaço Zip’Up, dedicado a propostas experimentais, recebe “Mega Hair”, nova individual de Romy Pocztaruk.
Em “Mega Hair”, Pocztaruk apresenta esculturas inéditas produzidas com concreto e fibra sintética usada em alongamentos capilares. Com texto crítico de Renato Rezende, a mostra marca uma nova etapa na trajetória da artista, conhecida por trabalhos ligados à fotografia e à investigação de ruínas e projetos fracassados. Aqui, essa pesquisa se desloca para o campo escultórico: blocos de concreto moldados pela artista são envolvidos por longas mechas e tranças que descem pelas paredes, alcançam o chão e, em alguns casos, sustentam o próprio peso das estruturas. O material associado ao universo cosmético assume função estrutural, enquanto o concreto revela fragilidade e dependência.
Ao longo da carreira, Pocztaruk investigou vestígios históricos e arquitetônicos em obras como os registros de “Fordlândia” e a instalação “Bombrasil”, sobre o programa nuclear secreto da ditadura militar. Em “Mega Hair”, a artista deixa de documentar ruínas para fabricar seus próprios fragmentos, propondo relações entre matéria orgânica e industrial, permanência e instabilidade.

Já em “Fio d’água”, Laura Villarosa apresenta um conjunto inédito de trabalhos em que pintura e bordado se constroem mutuamente. Com texto crítico de Priscyla Gomes, a exposição reúne paisagens imaginadas compostas por camadas de fios, texturas e relevos que sugerem territórios anteriores a qualquer cartografia. O bordado aparece não apenas como técnica, mas como método de construção da imagem e pensamento plástico.
A artista utiliza fios naturais e sintéticos de diferentes procedências, escolhidos pela cor, textura e forma como absorvem a luz. As superfícies resultam de um processo lento de sobreposição, em que cada camada altera a percepção do trabalho e amplia a dimensão tátil das obras. Entre pintura e tecido, os trabalhos de Villarosa aproximam imagem, matéria e gesto manual, criando composições que parecem estar em constante transformação, ideia sintetizada pelo título da mostra.
Zipper Galeria – R. Estados Unidos, 1.494, Jardim America, São Paulo, SP.



