
A história da joalheria Julio Okubo, especializada em pérolas, tem quase 100 anos. Ela começa em 1925, quando dona Rosa veio ao Brasil com a família em busca de uma vida melhor. Depois de trabalhar em fazendas, ela se mudou para São Paulo com as crianças, para que elas pudessem estudar. Foi na cidade que ela vendeu um anel de pérolas, e ali viu uma oportunidade de retomar a atividade de vendas que já tocava no Japão.
Dona Rosa então retomou o contato com o único fornecedor de pérolas do mundo naqueles anos, a Mikimoto, que existe desde 1893. “Então foi uma história que começou com essa força feminina, que a gente valoriza bastante, em um momento extremamente desafiador”, diz Maurício Okubo, bisneto de Rosa e hoje à frente dos negócios da família.
Em 1938, seu avô, Julio Okubo, então com 14 anos, veio para São Paulo também com uma ideia na cabeça: transformar aquele comércio de pérolas em uma joalheria de fato. Os anos se passaram e, em 1965, Julio deu um grande passo: fundou a própria empresa, que até hoje leva seu nome.
A característica do fazer artesanal, porém, nunca deixou as veias familiares. “Temos um olhar muito de alta qualidade das joias, do envolvimento humano. Meu avô sempre falava que sem alegria no coração não se faz uma boa joia. Então ele sempre foi uma pessoa super autoastral, chegava todo dia aqui contando piadas e tal. Depois meus pais trouxeram a profissionalização, a gestão, a expansão do negócio, essa entrada da marca dos shoppings foi liderada pelos meus pais”, lembra Maurício.
Hoje, manter a qualidade das suas peças é a regra número um da Okubo. “Sempre nos perguntamos: qual é o impacto que a gente gera no mundo? e como é que a gente pode melhorar isso, ser cada dia mais sustentável”, diz. Tanto que a marca tem como filosofia os “três Ps”: pérolas, pessoas e planeta.
Um ótimo exemplo de como a sustentabilidade está enraizada na empresa é o recorrente projeto “Voz dos Oceanos”, que existe desde 2020 com a família Schurmann, de navegadores. A Okubo cria e vende joias específicas da ação, apoiando assim a expedição liderada pelos Schurmann, que visa conscientizar e encontrar soluções para combater a poluição dos oceanos por plásticos.
Criação
Hoje a Julio Okubo trabalha com pérolas cultivadas, que não têm impacto negativo no meio ambiente. “Temos um controle bem rígido de fornecedores. Buscamos comprar essas pérolas direto dos produtores, das fazendas de pérolas que a gente conhece e que trabalham de uma maneira alinhada com os nossos pilares”, afirma Maurício.
Com a matéria-prima em mãos, ela se transforma em belas joias, algumas carro-chefe da label, como o colar cascata, que pode ser usado com uma ou duas voltas, e até como pulseira; o tsuru, que é um pássaro sagrado do Japão; e o broche de carpa, que foi lançado em 2015, na ocasião dos 50 anos da Okubo.
Atualmente, a grife tem seis lojas: cinco em São Paulo e uma em Campinas. “Se a gente crescer muito, a teremos de mudar a característica da produção artesanal. E aí muda o DNA, os valores da empresa. No final das contas, se perde”, revela Maurício. “Acredito muito nas joias como objetos que marcam momentos especiais, que fazem parte de grandes celebrações e que trazem mensagens importantes”, finaliza.



