
O Sesc Belenzinho (R. Padre Adelino, 1.000 – Belenzinho, São Paulo, SP) recebe, a partir do dia 7 de fevereiro, o espetáculo “Culpa”, a terceira peça que compõe um tríptico, um trabalho de três partes que Oliver Olívia, integrante do grupo Dispêndio, criou ao longo de sua transição de gênero. Nos dois primeiros trabalhos do tríptico, “Não ela: o que é bom está sempre sendo destruído” (2020) e “Ele” (2021), o palco era dividido com seu marido, e na terceira peça, “Culpa”, ele convidou seus pais.
A peça narra a relação entre Oliver e seus pais, Eugênio e Rosana, ao longo de sua transição de gênero. A pandemia intensificou o distanciamento entre eles, gerado pelo estranhamento mútuo diante das mudanças. Cada etapa da transição – alteração de nome e pronomes, tratamento hormonal e cirurgia – tensionou os vínculos familiares, revelando as projeções, expectativas e preconceitos enraizados na sociedade. A interrupção da comunicação após a cirurgia serviu como ponto de partida para a criação da peça.

“Há uma linha estética comum nos três espetáculos, como projeções de textos e jogos performativos que vão sendo executados de modos diferentes a cada sessão, e não por meio de cenas marcadas. Também não há uma trilha sonora num sentido muito convencional, de embalar alguma atmosfera. O que predomina também nos trabalhos é uma moldura teatral para algo não convencionalmente teatral”, conta Oliver, reforçando que um dos atravessamentos fundamentais nos trabalhos foi a leitura de “Testo Junkie”, obra do escritor e filósofo transmasculino espanhol Paul B. Preciado, que também foi concebido enquanto Paul fazia uso de testosterona.



