
O pintor, desenhista, gravurista e poeta cubano Alejandro Lloret inaugura a individual “Exílio da Noite” na Galeria Cukier Arte, dia 18 de março de 2025 (terça-feira), das 18h às 22h, com um conjunto de 28 pinturas em grandes e pequenos formatos. As duas salas da galeria, do galerista e artista Diego Cukier, são ocupadas pelas obras.
Sob curadoria de Andrés Inocente Martín Hernández – também cubano, o artista reapresenta uma natureza, não como um dado do real. Explora paisagens luxuriantes, com predomínio de variações de cores vegetais, potencializadas com a força da sua imaginação poética. A fauna também está presente em seus trabalhos.
A arte de Lloret é produto de uma formação pictórica e filosófica. As duas disciplinas foram adquiridas desde os 12 anos, quando começou sua iniciação no interior de sua província em Cuba. As paisagens se abrem como janelas de um pensar estético.
“Para construir as minhas paisagens, me aproprio de livros de botânica, de livros de paisagistas, gosto muito dos jardins de Roberto Burle Marx (1909-1994), juntamente com outros autores, fotógrafos e artistas, entre tantas outras fontes de inspiração, como por exemplo, correr no Parque Ibirapuera. Enfim, é um banco de dados que venho construindo há 50 anos”, diz o artista.
A natureza que pinta, como ele observa, não é a real, não corresponde exatamente a um catálogo botânico, apesar de similaridades com a que vemos nos biomas brasileiros. Há ainda nelas, referências mescladas às florestas cubanas: como os caules de palmeiras.

Lloret insere o espectador no amálgama de um “re-plantar” poético em diálogo com as ações das ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – conjunto de 17 metas globais estabelecidas pela Assembleia Geral das Nações Unidas) e ESG (sigla em inglês que significa Environmental, Social and Governance, ou seja, Ambiental, Social e Governança) alinhadas à economia verde, baseada na luta contra a desertificação e descarbonização, ampliando o comprometimento com a preservação.
Os “lugares” apresentados por Lloret têm, segundo ele, aparência de “ficções”. “Há uma incerteza”, resume. Na série exibida, surgem com frequência animais como girafas, cavalos e outros. A fauna inserida também não é fiel à realidade: não há girafa na fauna brasileira, por exemplo. Os bichos estão solitários e compõem o paisagismo “surrealista” do artista. Eles parecem posar em densos cenários florestais.
Ver as obras frente a frente amplifica a sensibilidade do espectador para que esteja diante de uma “perfeita simulação”, algo que parece ser.
O trabalho exaustivo de velatura (técnica antiga na história da pintura em que as pinceladas são repetidas) realça tal sensação. Ou seja, Loret é um artista pensante, dialético, inquieto poeticamente, mas que se dedica à técnica de grande mestre ao consumir horas e dias para chegar aos resultados visuais e cromáticos.

Na série apresentada na Galeria Cukier Arte, há obras em que a perspectiva é voltada para nuvens que pairam e predominam na paisagem pelo tamanho. São matéricas, dominam o olhar e provocam sensação de transcendência no espectador. A totalidade dos trabalhos foi produzida desde 2023. A obra “Exílio da Noite”, vista na exposição, dá nome a individual.
O curador Hernández diz que “cada obra é um pixel de um mundo cheio de vida e energia, de reflexão, ação e convicções”. A obra de Lloret é pertinente ao incentivar o debate, a partir da arte, sobre o estágio atual da relação do homem com seu ambiente. “Suas obras retomam e atualizam a pintura de paisagem (um dos gêneros mais tradicionais da arte) de forma particular”, escreve o curador.
Galeria Cukier Arte – Rua Padre João Manuel, 176, Jardim Paulistano, São Paulo, SP.



