
Dos anos 1980, veio o power dressing. Uma armadura de defesa imponente das mulheres nos postos de trabalho, esse modo poderoso de se vestir foi marcado por alfaiataria – apropriada do guarda-roupas masculino, para replicar a liderança que antes era totalmente dos homens -, com seus ombros largos e retangulares. Nesse contexto, também de ideal feminista em ascensão e conquistas femininas em andamento, o blazer e tailleur, inventados no século 19, nunca foram tão utilizados, com edições e reedições feitas pelos designers da época.
Uma das grifes pioneiras no power-dressing na penúltima década do século 20, a Saint Laurent – inventora do smoking feminino – ainda comandada por seu fundador, Yves, trouxe a elegância na alfaiataria feminina e acessórios como óculos escuros, saltos altos, lenços no pescoço, gravatas-borboleta femininas e chapéus sofisticados.

Outros estilistas que fizeram bonito àquele momento foram Emanuel Ungaro, Manfred Thierry Mugler e Jean Paul Gaultier, de marcas homônimas, com suas cinturas marcadas, seja por cintos ou modelagem, além de silhuetas trespassadas e cores vivas, dando o toque feminino necessário a peças tão enraizadas na masculinidade.

Na era conservadora em que o mundo se encontra nesta década, a ressurgência do power-dressing denota uma resistência da figura feminina dentro dos espaços de poder e no mercado de trabalho. A respeito dessa reintrodução do modo de se vestir para demonstrar força, os desfiles de verão e inverno 2025 da Saint Laurent são provas cabais. É possível notar que Anthony Vaccarello trouxe de volta, dos arquivos da grife, a inspiração desse poder feminino. Estavam presentes, dentre as duas últimas coleções, o color-blocking, alfaiataria potente em blazers enormes, ombros fortes e mulheres muito engravatadas, bem ao estilo pessoal do fundador da maison.



