
A partir do dia 14 de junho, às 15h, o Paço Imperial, no Rio de Janeiro, recebe a exposição “Rocada: eclosão de desejos da Terra”, da artista visual carioca Lívia Moura VAV. Sob curadoria de Sandra Benites e Luiz Guilherme Vergara, a mostra ocupa a galeria Terreiro com 15 pinturas inéditas de grande formato em diálogo com uma instalação têxtil site especific, de 50 metros de extensão. Desenvolvida em colaboração com artesãs da Cooperativa da Lã Mulheres Rurais da Montanha, vindas do município de Itamonte, na Serra da Mantiqueira, Minas Gerais, a peça intitulada “placenTEAR” é composta por um tear suspenso que se ramifica por toda a área expositiva e, de acordo com a artista, remete a uma árvore da vida.
“Rocada” (quantidade de lã necessária para encher uma roca) pensa arte como eclosão – não apenas de formas, mas de desejos da Terra. É uma trama em que arte, política, cuidado e território se entrelaçam e articulam saberes ancestrais, educação ambiental, práticas decoloniais e estética expandida.

Na entrada da sala expositiva, montes de lã anunciam o percurso sensorial que acompanha a cadeia produtiva da lã – da desfiação à tecelagem – conduzida pelas artesãs da zona rural de Minas Gerais, que estarão presentes na abertura, ativando a obra e convocando o público a interagir com a instalação. “Elas vêm ao Rio também para ver o mar pela primeira vez”, revela Lívia.
“Esta exposição me faz lembrar da socióloga e ativista boliviana Silvia Cusicanqui, que trata dos povos ameríndios Aymara. Pela tradição viva do labor têxtil coletivo daquela região, as mulheres foram resistentes a todas as invasões dos colonizadores em disputa por fronteiras. Naquela comunidade, elas criaram uma bolha de proteção secular e o labor têxtil se mantém como tradição viva ancestral da tecelagem andina”, observa Vergara. “Em ‘Rocada’, se recupera o tear como instrumento de potência e campo de resistência. O que a Lívia provocou no interior de Minas Gerais foi um resgate por simbiose dessa potência geopoética que estava adormecida, subterrânea. Identifico a eclosão com o acordar de uma memória de futuros inacabados. Ela acordou a vontade de tear desejos da ‘potentia mater’, que subjaz à potência coletivizante das mulheres”, finaliza.
Paço Imperial – Praça 15 de Novembro, 48, Centro, Rio de Janeiro, RJ.



