
Fábia Bercsek é uma criativa incomum, no melhor sentido da expressão. Artista multidisciplinar, ela retorna à passarela da Casa de Criadores para marcar novo momento como criadora de moda. Ela será responsável por abrir oficialmente a edição 56 do evento, que ocorre entre os dias 22 e 27 do mês de julho.
Fábia apresenta coleção que traduzirá sua linguagem: peças feitas por upcycling. A designer aposta agora em itens originados da mistura, ou do descarte. Focando em processos manuais e visual contemporâneo e ultracriativo, ela reedita e eleva peças simples.
Leia entrevista exclusiva com a estilista:
CHNews: Como você definiria a sua marca e a sua missão na moda?
Fábia Bercsek: A Fábia Bercsek é mais do que uma marca, é um espaço híbrido de intersecção poética entre moda e arte, guiado por verdades criativas e pelo desejo de construir peças únicas, cheias de narrativa. Minha missão é permanecer livre para explorar diferentes linguagens artísticas (ilustração, figurino, videoarte), mantendo-me conectada ao vestuário que carrega minha essência — urbano, experimental e culturalmente significativo.
CHN: Existe na sua marca um equilíbrio com demandas e tendências do mercado? Ou você foca totalmente no conceitual? Como você navega a identidade de marca nesse contexto?
FB: Não foco exclusivamente no conceitual, mas também não me curvo às demandas comerciais de forma convencional. Crio uma ponte entre minha visão artística e o mercado, ocupando um lugar muito específico — para um público que quer moda com significado, estética e atitude. Meu trabalho é um exemplo de como é possível manter uma identidade autoral forte, sem se isolar completamente do mercado, e ainda estar à frente do tempo.
CHN: Com relação ao processo criativo, como você capta as inspirações para cada criação ou coleção? E como faz para traduzi-las nas peças?
FB: Meu processo criativo é profundamente intuitivo e sensorial. Vivo em constante estado de inspiração. Estou sempre mentalmente estimulada — por tudo o que consumo, percebo, sinto. As referências vêm do que absorvo intencionalmente, mas também da serendipidade: aquilo que encontro por acaso, mas que parece ter me escolhido. Deixo que o destino conduza o processo — o que surge no caminho, o que garimpo, o que escolho valorizar. Quanto mais atenta, sensível e criativa estou, mais crio, mais percebo minha potência. A criação nasce nesse espaço entre o fluxo da vida e a minha intuição.
CHN: O que você pode adiantar sobre a nova coleção?
FB: O retorno à passarela da Casa de Criadores marca um momento simbólico e potente. Nesta 56ª edição do evento, apresento um desfile autoral que fortalece minha linha de upcycling criativo — composta por peças básicas, roupas quase banais, que ganham novas camadas por meio de processos manuais e artísticos. A apresentação se constrói como uma grande colagem — visual e conceitual — em que cada look funciona como fragmento de uma narrativa maior, que fala sobre tempo, memória e reconstrução. Mais do que consumo, proponho a roupa como linguagem. Um convite a imaginar futuros possíveis a partir do que vestimos, sentimos e escolhemos transformar.
CHN: Quais os planos futuros para a marca Fábia Bercsek?
FB: Dar continuidade a minha produção artística de forma saudável, sempre comprometida com a inovação e a experimentação, mantendo meu olhar crítico sobre a sociedade e a cultura contemporânea.



