
No próximo sábado (06.09), o artista argentino Edo Costantini inaugura sua primeira exposição individual em um museu brasileiro. Intitulada “Através do Véu Verde” (“Through the Green Veil”), a mostra poderá ser visitada até novembro no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC Niterói), no Rio de Janeiro. Sob curadoria de Nicolas Martin Ferreira e com texto crítico de Paulo Herkenhoff, a exposição apresenta uma década de produção do artista, reunindo fotografia, vídeo, música e uma série inédita de esculturas em bronze, criadas em colaboração com sua esposa, a artista Delfina Braun, e a arquiteta Delfina Muniz Barreto.
Filho do empresário argentino Eduardo Costantini, fundador do Malba (Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires), Edo já foi diretor-executivo do museu por cinco anos. Também atuou como produtor de cinema – em filmes como “Tropa de Elite” – e foi investidor e conselheiro da plataforma de streaming cult Mubi.
Sua obra fotográfica tem como eixo o sublime da natureza, retratado em imagens etéreas das florestas do norte do estado de Nova York, onde vive atualmente. Registrada entre 2013 e 2025, a série reflete sobre a passagem do tempo e a experiência de existir em constante transformação. Nas caminhadas diárias por Katonah–Bedford Hills, Edo encontra portais para o extraordinário dentro do cotidiano, revelando o invisível e transformando-o em imagens instigantes.
Inspirada nesses percursos e em pesquisas sobre florestas e plantas sagradas, a exposição reúne 20 fotografias em grande formato, a instalação “Opium Whispers”, uma homenagem a Jean Cocteau, e a projeção do filme “Last Survivors”, de 30 minutos, gravado no mesmo período.

Filmado durante a solidão da pandemia e apresentado cinco anos depois, “Last Survivors” é uma celebração da resiliência da natureza e um chamado ao despertar humano. Narrado pela atriz islandesa Hera Hilmar, com roteiro assinado por Edo e pelo escritor Martín Hadis (especialista em Borges e literatura nórdica), o filme reflete sobre perda, sobrevivência e transcendência. A trilha sonora, composta por Edo com sua banda The Orpheists, reforça a atmosfera de luto e esperança.
Em diálogo com as fotografias, o coletivo formado por Braun, Edo e Muniz Barreto apresenta também novas esculturas em bronze. As obras exploram formas e ritmos da natureza, celebrando flores e outros elementos vivos, enquanto investigam a relação entre dor e cura. “Cada um de nós contribuiu com seu conhecimento, e exploramos juntos diferentes dimensões, tempos e espaços”, afirmam os artistas.
Entre os destaques, estão duas esculturas inspiradas no micélio – a rede subterrânea que conecta e regenera o mundo natural – e no raro cogumelo conhecido como véu-de-noiva. Reconhecido por sua beleza exótica e propriedades medicinais, ele se transforma, aqui, em metáfora de resiliência e renovação.
Como parte da mostra, será lançado um catálogo de capa dura com 110 páginas, revestido em tecido e estampado com uma fotografia central. A publicação reúne as obras expostas e conta com textos de Nicolas Martin Ferreira, Paulo Herkenhoff e Barbara Golubicki, oferecendo múltiplos olhares sobre a pesquisa de Edo ao longo de uma década dedicada à natureza, à luz e à conexão humana com o meio ambiente.
MAC Niterói – Mirante da Boa Viagem, s/nº, Boa Viagem, Niterói, RJ.



