
Os legisladores da União Europeia deram sinal verde final nesta terça-feira (09.09) para uma lei que visa reduzir o impacto ambiental do fast fashion e também reduzir o desperdício de alimentos na Europa a cada ano.
Bruxelas estima que o bloco de 27 países gere cerca de 15 quilos de resíduos têxteis e 130 quilos de resíduos alimentares por pessoa a cada ano. Ao reduzir o desperdício de alimentos, a UE visa, por extensão, reduzir a quantidade de água, fertilizantes e energia usados para produzir, transformar e armazenar alimentos que acabam sendo jogados fora.
A mesma lógica se aplica aos têxteis, onde a UE afirma que a fabricação de uma única camiseta de algodão requer 2.700 litros de água doce – a quantidade que uma pessoa média bebe em dois anos e meio. Os legisladores aprovaram sem emendas o texto previamente negociado com os estados-membros do bloco.
A nova lei atualiza uma diretiva da UE de 2008 sobre resíduos e amplia seu escopo para incluir a indústria têxtil. Ela cria novas obrigações para o setor, com os produtores sendo obrigados a arcar com a conta da coleta, triagem e reciclagem de roupas, bem como de tudo, de carpetes a colchões.
Menos de 1% dos têxteis em todo o mundo são reciclados atualmente, segundo a UE, com 12,6 milhões de toneladas de resíduos têxteis gerados no bloco a cada ano. Os legisladores esperam que a lei possa neutralizar o impacto das importações de moda de baixíssimo custo, muitas delas da China, por plataformas como a Shein – que também está sendo investigada por Bruxelas devido aos riscos associados a produtos ilegais.
“A ultra fast fashion cria montanhas de resíduos têxteis”, disse o parlamentar francês de direita Laurent Castillo após a aprovação da lei, afirmando que o fenômeno “coloca em risco empresas francesas e europeias, além de ser extremamente poluente”. A UE também tomou medidas para limitar o fluxo maciço de pequenas embalagens impulsionado pelo boom da fast fashion, propondo uma taxa fixa de importação de dois euros (US$ 2,35) por encomenda.



