
O Ateliê Victoria acaba de reunir uma coleção inédita no projeto Mata Lab, em São Paulo, assinada por Charles Hermann, diretor criativo e sócio da marca.
O trabalho para o Mata Lab – shopping do Complexo Matarazzo – foi concebido com peça exclusiva, desenvolvida no Ateliê Vitória e apresentada no espaço como parte do programa de integração de novos criadores. Hermann afirma: “O Mata Lab representa exatamente esse movimento. Para nós, ele marca o início de uma nova fase.”
Charles começou na moda como modelo aos 16 anos e morou em Nova York, experiência que o levou a repensar a carreira inicial desejada: “A moda apareceu primeiro como oportunidade, depois virou descoberta e, com o tempo, se transformou em propósito”, diz o estilista.

Formado em arquitetura e urbanismo, Charles transporta conceitos da arquitetura para a criação de peças, tratando proporção e estrutura como elementos centrais: “Quando desenho uma peça, não penso apenas na roupa. Penso na pessoa que vai vestir”, explica.
A marca foi inaugurada por Charles em 2002; em 2019 uniu-se à sócia Salma George para criar o Ateliê Vitória. A parceria surgiu da complementaridade entre atendimento ao cliente e gestão dos processos de produção, segundo o próprio fundador.
A entrada no Mata Lab integra o plano de expansão da grife, que inclui presença em multimarcas em Goiânia e meta de atuar em mais de cinco estados até 2027. Sobre esse movimento, Charles aponta: “O nosso desafio é conquistar espaço dentro do próprio país e mostrar o valor da criação autoral.”

O trabalho de Charles combina produção sob medida, formação de equipe com padrão técnico definido e lançamentos de coleções prontas para pronta-entrega. Ele descreve o processo interno: “Eu comecei a montar uma equipe que hoje… elas entendem o que eu quero”, referindo-se ao treinamento intenso para manter a qualidade.
Charles menciona Elie Saab como referência de técnica e sensibilidade no bordado: “O trabalho do Elie Saab me ensinou a valorizar o bordado como linguagem – não é enfeite, é construção de emoção. Quando vejo uma peça dele, entendo como o detalhe pode transformar a leitura de um vestido inteiro.”
Sobre Zuhair Murad, Charles destaca a influência na silhueta e no impacto visual: “Do Zuhair aprendi a buscar o efeito imediato, a criar vestidos que se impõem na cena. Absorvo a intensidade do gesto e tento traduzir essa força dentro da nossa brasilidade.”

Em relação à sustentabilidade, Charles relata práticas de reaproveitamento de sobras e criação de peças com material descartado em coleções anteriores, e cita a dificuldade do mercado nacional em viabilizar materiais reciclados em larga escala. Ele afirma que parte do trabalho visa reduzir desperdício e gerar ocupação em ateliê.
A atuação internacional e em eventos como Cannes e a participação em encontro da ONU em Luanda são mencionadas por Charles como parte da construção de visibilidade. Ele também cita parcerias com ONGs locais e internacionais para formação profissional e inclusão por meio do ofício: “Eu ensino corte-costura e prática de bordado para essas mulheres”, relata.
A presença do Ateliê Victoria no Mata Lab é apresentada por Charles como oportunidade de levar o trabalho autoral a novos públicos, sem alterar o método de produção: “Fazer parte desse projeto significa apresentar o nosso trabalho a um novo público sem abrir mão da essência da Victoria”, conclui.



