
Os primeiros registros de vidro remontam à Mesopotâmia, cerca de 2.700 anos antes de Cristo. No Egito antigo, já era usado como joia e expressão artística — tradição que atravessou milênios e ainda hoje se mantém viva pelas mãos de artesãos e artistas capazes de transformar areia de sílica, sódio, cálcio e fogo em poesia visual.
Entre os nomes seduzidos por essa magia está Elvira Schuartz, que descobriu o fascínio pelo vidro ainda menina, em uma viagem a Murano, na Itália. O encantamento permaneceu adormecido até ganhar força na vida profissional: primeiro, com esculturas em vidro a frio para lojas de decoração como a Zero Design; depois, com a chegada do forno e a imersão na técnica de sopro e modelagem.
Daí em diante, Elvira construiu uma trajetória sólida. Participou de residências artísticas e exposições em cidades como Nova York, Paris, Londres e Frankfurt, até inaugurar seu primeiro hot-shop no Pacaembu, batizado de Espaço Zero. O local cresceu com sua demanda criativa: cursos, workshops e até uma área externa dedicada a obras de grande porte ampliaram sua vocação plural. Agora, o Espaço Zero renasce como ponto de encontro aberto a novos artistas, com a exposição “De volta para o presente”, que marca a reabertura em tom de celebração.
A experiência acumulada levou Elvira a fundar, em 2013, o Instituto do Vidro, museu virtual que a inseriu no ICOM Glass, o conselho mundial que reúne os principais museus de vidro. Hoje, ela reposiciona o Espaço Zero como a primeira galeria brasileira dedicada exclusivamente à arte em vidro. O espaço passa a representar artistas nacionais, promover intercâmbio internacional e abrigar uma biblioteca com mais de 200 títulos sobre o tema.
A reinauguração aconteceu em setembro, exatamente 36 anos após a primeira exposição de Elvira, e reúne dez obras inéditas da artista, além de criações de cinco convidadas:
– Anna Saicali, com quatro décadas de carreira, que desde 2023 dedica-se à escultura em vidro no Espaço Zero, explorando formas e cores como tradução de emoções.
– Carol Gay, arquiteta e designer premiada, cuja obra é marcada pela experimentação e pela memória afetiva.
– Dania Reiter, artista visual formada pela Faap e pós-graduada na Bélgica, que transita entre joalheria e vidro soprado em peças que mesclam textura e funcionalidade.
– Marcela Helena, arquiteta e urbanista, residente desde 2024, que cria obras na fronteira entre escultura e mobiliário.
– Patricia Faragone, também residente desde 2023, cuja produção autoral dialoga com o Art Déco, a Pop Art e o movimento Memphis.



