
Atriz, humorista e roteirista, Marianna Armellini transita com naturalidade entre teatro, televisão e, mais recentemente, a internet – onde seus vídeos autorais, curtos e irônicos, se transformaram em crônicas bem-humoradas do cotidiano. Formada pela Escola de Arte Dramática da USP (EAD), ela, que também é publicitária, construiu uma trajetória sólida, marcada pelo improviso e pelo humor, característica que a acompanha em qualquer formato. “Eu escrevo, dirijo, edito e posto. É uma liberdade que não tenho na TV, mas que me devolveu autonomia”, diz. Os esquetes, que misturam política, hipocrisia social e pequenas situações domésticas, revelam sua faceta cronista e o riso como ferramenta de reflexão. “O humor é humano, por isso tem poder e limites”, argumenta.
Mas se no trabalho o improviso sempre foi guia, na vida pessoal Marianna assume sem rodeios suas crenças e contradições. Pisciana com ascendente em touro e lua em gêmeos, acredita em oráculos, búzios e promessas de santo. “Eu pego superstição como quem pega gripe”, brinca. Já sobre relacionamentos, é direta: “Eu não tenho autoestima para ser não monogâmica. Eu sou monogâmica até no cachorro, nem de gato eu dou conta.”

Entre a comédia que a consagrou, o desejo de explorar drama e vilania, a defesa do espaço das mulheres no humor e confissões sobre astrologia e amor, Marianna [que é muito engraçada dentro e fora de cena] projeta seus próximos passos: colocar em cartaz o solo “Ninguém Tá Bem”, circular com o espetáculo “Ainda Lives” e seguir transformando o ordinário em matéria-prima para o riso. “O que eu quero mesmo é botar minhas coisinhas para rodar.”
Leia a seguir o papo que CHNews teve com Marianna Armellini por videoconferência.

Você transita entre humor, drama e até vilania. Qual Marianna o público ainda não conhece?
A vilania e o drama eu explorei muito pouco. A pandemia atravessou minha primeira vilã, e acabou que o núcleo foi encerrado. Voltei para o humor, que é meu lugar de conforto, mas sinto falta de exercitar esse “músculo”. Não é nem para mostrar, é como treino mesmo. Quero me desafiar mais nesses papéis.
O improviso sempre esteve presente na sua vida?
Sempre. Desde o balé, quando os óculos caíram no palco e precisei continuar dançando (risos). Mas profissionalmente, desde o início da carreira, improviso foi ferramenta para chegar ao personagem. Depois vieram os jogos, o teatro-esporte. Acho que todos improvisam na vida, só não percebem.
Como foi a transição dos palcos para a televisão?
Aconteceu quando eu já achava que não ia mais rolar novela para mim. Eu tinha 34 anos, recebi a indicação de um amigo e entrei em Guerra dos Sexos sem teste, a partir de vídeos de improviso na internet. Foi divisor de águas. TV aberta ainda é aval social e profissional.
Você chegou a fazer duas personagens em “Salve-se Quem Puder”. Como foi esse desafio?
Foi intenso e muito rápido, em plena pandemia. Eu mesma fazia cabelo, maquiagem, figurino. Tinha que mudar o tom sozinha, sem muito contato com direção. Foi confuso e desafiador, mas também uma experiência que eu adoraria revisitar com mais calma.

O humor ainda é um território masculino?
Sim, ainda é um “men’s world”. Avançamos em número, mas o julgamento é maior para as mulheres. Homem pode ser mediano, mulher tem que ser genial. Ainda existem perfis nas redes que se dedicam a dizer que “mulher não tem graça”. Mas sigo firme: faço stand up em lugares onde me respeitam, como o Clube Barbixas.
O riso ainda é uma arma política para você?
Sempre. A comédia nasce junto da tragédia como catarse e identificação. O humor é humano, e por isso tem poder e limites. É quando você escancara o ridículo de uma situação e as pessoas pensam: “sou assim também”. Já recebi mensagens de gente que pensa o oposto de mim politicamente, mas admitiu: “esse vídeo é engraçado e inteligente”.

A internet mudou seu trabalho?
Totalmente. Me deu autonomia: eu escrevo, dirijo, edito, posto na hora que quero. É liberdade que não tenho na TV, mas que também é necessária. Meus vídeos são quase crônicas do cotidiano, transformando o ordinário em algo engraçado.
Quem é a Mariana fora de cena?
Sou pisciana, organizada ao extremo, mania de cabides iguais, nada de louça na pia. Amo boteco com amigos, dançar e estar com meus cachorros, Mário Augusto e Vera Lúcia. Vivo com o Bruno Federici, meu namorado há oito anos, que hoje tem uma empresa de comida natural para pets. Tive sorte: nunca tive um parceiro que me podasse.

E o que vem pela frente?
Quero colocar meu solo “Ninguém Tá Bem” em cartaz e fazer circular “Ainda Lives”, espetáculo com a Cris Werson. Tenho feito bastante evento corporativo e sigo com os vídeos na internet. Nada grandioso por agora. Só quero colocar “as minhas coisinhas” para rodar.



