
Na moda da Geração Z, quem cria também comunica. Os novos empreendedores do setor de moda estão redefinindo o conceito de branding e aproximando o público de suas marcas de forma nunca vista. Nascidas em um contexto digital e acelerado, elas usam as redes sociais não apenas como vitrine, mas como diário de criação. Ao revelar bastidores, dúvidas e processos, substituem o discurso publicitário pelo diálogo real. Essa linguagem em primeira pessoa tornou-se um dos pilares do novo marketing de moda, onde verdade e coerência valem mais que campanhas polidas.
De acordo com a Edelman Trust Barometer 2023, 70% dos jovens da Geração Z preferem marcas que comunicam autenticidade e propósito, enquanto apenas 18% dizem confiar em campanhas tradicionais com celebridades. Outro estudo da Launchmetrics (2024) aponta que 83% valorizam marcas transparentes sobre suas práticas de produção, e 68% descobrem novos produtos nas redes sociais. O dado revela um comportamento de consumo orientado por experiências reais, em que a comunicação pessoal substitui o marketing intermediado.
Um dos melhores exemplos desse movimento é a NS Dress, criada por Ninna Bajotto e Sofia Serafim, duas gaúchas que transformaram um projeto escolar em uma marca de vestidos de festa autorais. A empresa nasceu em 2021 e consolidou-se pela forma como as fundadoras narram seu processo criativo. Ninna e Sofia compartilham croquis, escolhas de tecidos e etapas de costura, mostrando o cuidado manual e o tempo dedicado a cada peça. Reportagem do Jornal de Brasília destacou que a NS Dress representa “a força da autenticidade na moda brasileira feita à mão”. A comunicação direta com o público tornou-se o principal ativo da marca, reforçando a ideia de que mostrar o processo é o novo luxo.

A história se repete em outros segmentos da moda jovem. Luana Amy, fundadora da Las Clothing, começou o negócio em 2020, aos 20 anos, durante a pandemia. A marca de streetwear nasceu no quarto da empreendedora e cresceu com base em vídeos, lives e respostas pessoais aos seguidores.

Outro caso emblemático é o de Lucca Akabomb, que fundou a Akabomb em 2019, aos 17 anos, com o lema “Pronto para ser julgado”. A frase virou um manifesto de autenticidade que impulsionou a marca de streetwear.
Esses fundadores representam uma transformação de mentalidade. Segundo relatório do Sebrae Data 2024, o número de empreendedores entre 18 e 29 anos cresceu 23% na última década, e a maioria atua em áreas ligadas à moda, beleza e economia criativa. Essa geração usa as redes como plataforma de negócio e emprega a própria imagem como ferramenta de credibilidade. O engajamento orgânico substitui anúncios pagos, e a consistência do discurso se torna a principal forma de capital simbólico.
O impacto desse novo modelo é perceptível: a comunicação de moda deixou de ser sobre o produto e passou a ser sobre o processo. Marcas independentes descobriram que a vulnerabilidade gera confiança e que compartilhar bastidores cria valor. O público acompanha cada passo, reage, opina e participa da evolução da marca, criando um senso de comunidade.



