
Com informações da Bloomberg
A família Pinault concordou em vender sua participação de 29% na Puma SE para a chinesa Anta Sports Products Ltd., reduzindo seus investimentos fora do setor de artigos de luxo e concentrando-se na recuperação da sua principal marca, a Gucci.
A Anta concordou em investir € 1,5 bilhão (US$ 1,8 bilhão) para adquirir uma posição majoritária na empresa alemã de artigos esportivos e expandir seu portfólio de marcas esportivas ocidentais, que já inclui nomes como Salomon e Wilson.
As ações da Puma subiram até 21% no início do pregão em Frankfurt, reduzindo em cerca de metade a queda do último ano.
O acordo prevê a aquisição, pela Anta, de aproximadamente 43 milhões de ações da Puma da Artémis, holding da família Pinault, por € 35 cada, conforme comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong nesta terça-feira (27.01). Isso representa um prêmio de 62% em relação ao último fechamento das ações da Puma.
O acordo ajudará a família Pinault a reduzir a dívida da Artémis, priorizando a moda de luxo. A Kering SA, grupo de artigos de luxo da família Pinault, ainda luta para reerguer a Gucci após a queda na demanda na China. A empresa também detém marcas como Yves Saint Laurent e Balenciaga.
A aquisição da participação na Puma pode ajudar a Anta a capitalizar o crescimento global da prática esportiva e a demanda por produtos do chamado athleisure, inclusive na China, onde esse mercado decolou desde a pandemia de Covid-19. As ações da Anta subiram até 3,4% na terça-feira, a maior alta desde novembro.
A Anta aposta no plano de recuperação do CEO da Puma, Arthur Hoeld, que prevê a reformulação dos esforços de marketing na esperança de tornar a marca do felino saltitante mais atraente para os consumidores.
O CEO prometeu em outubro passado retomar o crescimento até 2027 e restabelecer a Puma como uma das três principais marcas esportivas globais, após a queda na demanda por seus tênis e roupas no último ano.
A Anta está apostando que os mais de 75 anos de tradição da Puma no esporte fazem a diferença em um momento em que o mundo do calçado presenciou uma explosão de novas marcas conquistando participação de mercado, desde a suíça On Holding AG até a Hoka e a própria Anta.
“Afinal, a tradição conta muito”, disse James Grzinic, analista da Jefferies em Londres, em um comunicado.
O fato de a Anta já ter tanta confiança no potencial de lucro da Puma deve ser encorajador para as concorrentes, observou o analista. A rival Adidas AG também tem enfrentado dificuldades nos últimos meses, com investidores questionando cada vez mais seu crescimento e potencial de lucro, apesar de seu sólido histórico nos últimos anos.
A aquisição da participação da Anta pode abrir caminho para uma aquisição total da Puma, embora a Anta tenha afirmado que atualmente não tem planos nesse sentido. A Bloomberg News noticiou em novembro que a Anta estava entre as empresas que exploravam uma possível aquisição da fabricante alemã de artigos esportivos, afirmando que a empresa vinha trabalhando com um consultor para avaliar uma proposta.
A transação deve ser concluída até o final de 2026 e a Anta planeja obter representação no conselho de supervisão da Puma, segundo o comunicado.



