
A Galeria Marcelo Guarnieri apresenta, de 7 de março a 11 de abril de 2026, a mostra “Vazio Entre”, terceira individual de Carlos Fajardo no espaço paulistano. A exposição reúne 24 desenhos inéditos e cinco esculturas em vidro, aço-corten, aço polido e tecido, explorando jogos de presença e ausência por meio de transparências, intervalos e superfícies brancas. O projeto dá continuidade à investigação que o artista desenvolve há seis décadas sobre as relações entre corpo, objeto e arquitetura – agora em diálogo com ideias da física quântica.
Um dos pontos de partida é “Neutral” (1966), obra-chave na trajetória de Fajardo. Composta por dois cubos transparentes (um físico e outro sugerido por traços), a peça é montada pelo próprio colecionador a partir de instruções. Ali já surgem temas que atravessam sua produção: a obra ativada pelo olhar, o desenho como pensamento e a arte como campo de ideias que ultrapassa o gesto manual.

Em “Vazio Entre”, essa memória reaparece em escala monumental: um cubo de aço inox com três metros cúbicos recebe o visitante logo na entrada. Formado por oito arestas físicas e outras completadas pela percepção, o trabalho funciona como um portal, atravessado pelo público, que marca a passagem para a exposição. Sessenta anos depois, Fajardo mantém o diálogo com a fenomenologia, ampliando agora seu repertório para reflexões sobre matéria e realidade sob a ótica quântica, onde vazio deixa de ser ausência e passa a existir como campo de relações.
A experiência expositiva se constrói no percurso. Nas paredes laterais, trabalhos investigam a passagem entre bidimensionalidade e tridimensionalidade por meio da cor. Um quadrado em azul cerúleo ocupa o campo periférico do olhar, evocando atmosferas celestes e aquáticas da história da arte moderna. Em seguida, 24 desenhos em carvão e pastel seco transitam entre vermelho, amarelo, azul e preto. Os gestos curtos sobre papel A4 revelam a trama da fibra e ganham movimento conforme o visitante caminha.
No lado oposto, esculturas em vidro, aço-corten e tecido exploram relações entre planos pela obliquidade. Placas de vidro apoiadas entre si multiplicam reflexos e criam camadas visuais no espaço. Já as peças opacas (em aço e pano) revelam o vazio não pela transparência, mas pelas frestas e dobras, convidando o espectador a atravessá-lo com o corpo e o olhar.

“Vazio Entre” propõe, assim, uma experiência sensorial e relacional, onde matéria, percepção e espaço se constroem mutuamente, e onde o vazio ganha densidade, presença e significado.
Galeria Marcelo Guarnieri – Alameda franca, 1.054, Jardins, São Paulo, SP.



