
“Os Olhos de Nara Leão” estreia no dia 6 de março no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, no Rio. O espetáculo nasce do impacto que a obra de Nara Leão causou em Zeze Polessa, que assume o palco para reviver a cantora. A dramaturgia e a direção são de Miguel Falabella, parceiro de longa data da atriz.
A montagem chega à cidade exatamente 60 anos após o lançamento de “A Banda”, apresentada no II Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record. Interpretada por Nara Leão e Chico Buarque, a canção dividiu o primeiro lugar com “Disparada”, defendida por Jair Rodrigues, e se tornou um fenômeno popular.
Zeze cresceu ouvindo Nara e acompanhando seus sucessos nos festivais transmitidos pela TV. Durante a pandemia, mergulhou na biografia da artista e em uma série de entrevistas e livros sobre o período. A pesquisa, iniciada de forma intuitiva, acabou se transformando na base da personagem. Em uma conversa informal, Falabella se interessou pelo projeto e começou a escrever o texto ainda no isolamento.
No palco, Nara surge como se atravessasse o tempo para compartilhar memórias e reflexões. A narrativa segue um fluxo de consciência, sem compromisso com cronologias, em sintonia com a personalidade livre da cantora. “Eu não procuro imitar o seu jeito de falar ou cantar. Existe uma liberdade em todo o processo, não poderia ser diferente com alguém que sempre foi tão livre”, afirma Zeze.

A atriz interpreta ao vivo sucessos como “A Banda”, “Diz que Fui por Aí”, “Corcovado”, “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas”, “Opinião” e “Acender as Velas”, entre outras.
Com direção musical de Josimar Carneiro, cenário de Marco Lima e iluminação de Cesar Pivetti, o espetáculo percorre os diferentes momentos da carreira de Nara. A artista esteve no centro da Bossa Nova, dialogou com o Tropicalismo, brilhou nos festivais da canção e protagonizou o histórico show “Opinião”, ao lado de João do Vale e Zé Ketti [foi ela quem indicou Maria Bethânia para substituí-la na montagem].
Sem se prender a rótulos, Nara transitou pelo samba-canção, pela música de protesto, pelo rock e pela Jovem Guarda. No espetáculo, as canções pontuam temas que marcaram sua trajetória e o Brasil da época, como a ditadura militar, o exílio, o avanço do feminismo, a revolução comportamental, a maternidade e os amores da cantora.
Zeze já tem experiência em musicais, como “Noel Rosa”, de Domingos de Oliveira, “Receita de Vinicius” e uma versão de “A Noviça Rebelde”. Agora, encara o desafio de escolher parte do vasto repertório de Nara. “Ela produziu muito e sempre gravou canções necessárias. O difícil foi selecionar o que entraria na peça”, diz.
Teatro Clara Nunes – Rua Marquês de São Vicente, 52, Gávea, Rio de Janeiro, RJ.



