
O termo “little black dress” está tão presente na história da moda que ele até ganhou uma abreviação: LBD. E a razão para isso é simples: o “vestidinho preto” é tão icônico que em 2026 ele completa 100 anos. No decorrer desse século, o LBD ganhou texturas, comprimentos, silhuetas e adornos diferentes, mas sem perder a sua essência original. Celebridades em tapetes vermelhos, personagens icônicos e princesas fazem parte da coleção de aparições icônicas do little black dress.
Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo” (1961), eternizou o visual de Holly Golightly com as luvas longas e as pérolas. Assim como o famoso “vestido da vingança” que a Princesa Diana usou em 1994 como uma resposta à infidelidade do seu marido, Charles. E até mesmo Billy Porter que, na cerimônia do Oscar em 2019, combinou a estrutura de um terno com a saia de um vestido.
O lançamento
Apresentado pela primeira vez em outubro de 1926 na “Vogue” e assinado por Coco Chanel, o little black dress ficou conhecido imediatamente por conta da sua versatilidade. Do dia à noite, da formalidade à informalidade. Era apenas uma questão de escolha de acessórios, calçados e combinações para que ele se transformasse completamente.
Toda a sua forma original servia a um propósito: praticidade. Sem tecidos em excesso ou estruturas rígidas, ele era pensado para as mulheres que ganhavam espaço no mercado de trabalho pós Primeira Guerra. As mangas e o decote não restringiam os movimentos e a barra não dificultava o caminhar. A busca pela praticidade foi tão bem-sucedida que rendeu ao LBD o apelido “Ford da Chanel” em comparação com o “Ford T”, o primeiro carro popular produzido em massa no mundo.
Vestidos pretos, que antes eram reservados para o luto e uniformes de criados, com a introdução do little black dress, se transformaram em um símbolo de estilo e elegância. Sua fama cresceu tanto que ele também passou a ser conhecido como “a peça que toda mulher deveria ter em seu armário”.
Mudanças ao longo dos anos
Christian Dior, depois de estabelecer o “New Look” em 1947, mudou a silhueta associada ao little black dress. Ele deixou a forma reta e midi: afinou a cintura, deu volume para as saias e subiu o comprimento para os joelhos. Nesse mesmo movimento, também concretizou o termo “vestido de festa”, chamando ainda mais atenção para esse estilo. Ao longo da década de 60, o público jovem passou a procurar pelo little black dress motivado, principalmente, pela fama de Audrey Hepburn.
Perto do fim da década, em Paris, Cristóbal Balenciaga retornava para a silhueta original ao adotar linhas mais retas. Ainda que nos anos 70 e 80 o LBD perdeu espaço para alternativas mais coloridas, ele fez seu retorno triunfante em 1989, mais uma vez na “Vogue”. A partir daí, modelos, atrizes e personagens voltaram a exibir seus vestidos pretos como uma expressão de sofisticação minimalista.
No século 21, o little black dress foi ganhando recortes, bordados e fendas. Tudo isso sem abrir mão da sua origem. E, ao que tudo indica, ele ainda terá muitos séculos pela frente.



