
CUIDADO, ESTAMOS EM REFORMA. O cenário de vigas, treliças e aramados em verde, azul, amarelo e vermelho já nos direcionavam para dois pontos: o primeiro é que tendo em vista que a nova Chanel caiu no gosto da crítica (inclusive da nossa) é importante frisar que a casa ainda está em período de experiência, ou melhor, que está sendo adaptada antes de qualquer mudança.
O segundo ponto é de que a marca tem uma história além das inúmeras referências pontuadas ao longo dos anos, tweed, pérolas, anos 20 ou o famigerado vestido preto que em outubro faz aniversário. Gabrielle era revolucionária, inovadora, destemida e quem estiver à frente da maison precisa ter este distanciamento para alcançar suas intransigências que a moda também ama.
Matthieu Blazy decide então trazer a própria Coco para o inverno 2026, impossível não imaginar a icônica hoje de conjuntinho com botões falsos e zíper fechando a jaqueta, com a agora it bag “Triple Flap”, ou com o tweeds mais leves e quando pensados para a noite com bordados florais delicados e modernos.
Essa ideia de que a Chanel é isso ou aquilo, muito pautada a iconografia de anos revivida por Karl Lagerfeld, ou escolhida por ele para destacar, deixa Blazy de mãos livres para coletar o que mais faltou contar dessa mulher tão importante para a moda, e nesta coleção a veia fervida e dançante da Gabrielle vem à tona – e nada melhor que um “Just Dance”, de Lady Gaga, para nos fazer quase pular da cadeira e rodopiar.
As cinturas baixas anos 20 são perfeitas para esse giro em qualquer salão, as barras pregueadas ou drapeadas têm seu balançar acompanhado de uma ideia de uniformes menos enrijecida, quase anos 70, onde o utilitarismo travou suas batalhas. O espírito da fundadora da marca – rebelde e à frente do seu tempo – permite essa viagem pelo tempo entre os principais contrapontos que foram marcantes.
A sensível abordagem de Mathieu continua trazendo uma vibe feliz aos seus desfiles. Não conseguimos imaginar quem não sorria ao ver o look 73 – vestido solto ao corpo, com toda a potência do ateliê em construção e bordados na cartela de creme e rosas ultrafemininas, delicadas e poderosas ao mesmo tempo.
Os prints em color blocking acendem a coleção inclusiva no fator idades. A mulher Chanel não tem idade, e do primeiro ao último look basta haver personalidade para usar. Mas, vale pontuar que não são todas que vão conseguir: a primeira coleção do diretor criativo chegou neste fim de semana às lojas e, em Paris ao menos, o sold out foi instantâneo. Então, se você quer se vestir de Coco no inverno 2026, já faça seu pre-order!






















