
Neste sábado (28.03), a Galeria Luis Maluf inaugura a exposição “A suspensão da descrença”, do artista Bruno Vilela. A mostra apresenta pinturas inéditas, desenhos e o filme “O Ano da Serpente”, reunidos em um conjunto que revisita temas centrais da produção do artista, como imagem, duplicação, memória, teatralidade e cor.
O título, emprestado do cinema, propõe ao público uma postura específica diante das obras: suspender referências prévias e acompanhar a lógica interna de cada imagem.
As obras partem de um projeto em que a galeria é tratada como metáfora da mente. Nesse contexto, surgem elementos recorrentes como teatros, cinemas, cortinas, arquibancadas, reflexos, animais e passagens. A figura de Janus aparece como chave conceitual da mostra, reforçando a ideia de duplicidade e de imagem como campo de reflexos e desdobramentos.

A exposição também marca um avanço técnico na produção do artista. Vilela incorpora tinta a óleo à serigrafia sobre tela, explorando relações entre luz, meio-tom, mancha e retícula. O conjunto inclui ainda uma série de nove desenhos realizados com washi e pó de azul ultramar (anil) sobre papel de algodão.
Essa série é inspirada na narrativa do cervo-almiscareiro, animal que busca na floresta o perfume que já carrega no próprio corpo. Elementos como espelhos, rios, dobras e descontinuidades aparecem de forma recorrente, assim como campos monocromáticos em vermelho, azul e amarelo, que estruturam visualmente as obras. Cavalos, arquiteturas cênicas, corpos e vestígios completam o repertório imagético do artista.
“A suspensão da descrença parte de uma noção do cinema: suspender referências prévias diante da imagem. Nesta exposição, trabalhei a galeria como metáfora da mente, com elementos recorrentes como teatro, cinema, memória, reflexo e cor”, afirma Vilela.



