
A artista visual brasileira Pàulla Scàvazzini apresenta duas exposições que marcam um novo momento em sua trajetória: a participação no duo show “Between Utopias and Abyss”, com curadoria de Maryana Kaliner, na Kaliner Gallery, e a individual “Língua de Fogo”, com curadoria de Shannon Botelho, no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro.
A produção de Scàvazzini investiga os limites entre arquitetura, corpo e pintura, expandindo o gesto pictórico para além da tela. Em instalações imersivas e trabalhos site-specific, a artista ocupa paredes e pisos, propondo uma experiência sensorial que altera a percepção do espectador. Suas obras, marcadas pela gestualidade e pelo uso intenso da cor, da luz e da composição, partem de um imaginário botânico tropical para construir paisagens que transitam entre ruína e regeneração. Os títulos das obras (concebidos como micro-poesias sinestésicas) ampliam essa experiência ao evocar memória, temperatura e sensações.
As duas exposições compartilham eixos centrais da pesquisa da artista: a pintura como gesto performativo, a exploração da escala, do íntimo ao arquitetônico, e a criação de campos cromáticos que articulam simultaneamente destruição e reconstrução. A partir de elementos orgânicos, suas composições tensionam a fronteira entre figuração e abstração, refletindo um cenário contemporâneo em transformação.

Em Nova York, a mostra abre no dia 23 de abril e reúne cerca de 20 trabalhos inéditos, desenvolvidos durante residência na Residency Unlimited. A exposição se organiza como uma pintura expandida que ocupa integralmente o espaço expositivo, estabelecendo diálogo direto com o público e com o entorno urbano. Sob a curadoria de Kaliner, o projeto propõe uma reflexão sobre o conceito de utopias como estados em constante transformação, tensionados entre promessa e colapso.
No duo show, as pinturas de Scàvazzini dialogam com as esculturas em vidro da artista Austin Fields, criando uma relação complementar entre superfícies pictóricas e formas tridimensionais. O conjunto funciona como um sistema integrado, no qual cada obra se apresenta como fragmento de uma composição maior.
Já no Rio de Janeiro, a exposição com abertura em 27 de maio apresenta 15 trabalhos e se configura como desdobramento da mostra internacional. Inserida em um contexto institucional, a individual aprofunda a investigação da artista sobre gesto, escala e percepção, com foco na relação entre corpo, espaço e imagem. A maior parte das obras é inédita e retoma temas como paisagens em colapso e a construção de novas possibilidades visuais a partir da pintura expandida.
Kaliner Gallery – 42 Allen St, New York, NY 10002, Estados Unidos.
Centro Cultural Correios – Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro, RJ.



