
Desde o dia 20 de março, Larissa Noel vive um desafio: dar vida a Zezé Motta no espetáculo “Prazer, Zezé! O Musical”. O enredo leva o público pela trajetória da artista e destaca o seu impacto para a cultura brasileira. Dirigida por Debora Dubois e com texto de Toni Brandão, a peça se situa desde a infância de Zezé, sua participação em “Xica da Silva”, e a sua perpetuação como uma das figuras mais emblemáticas do Brasil.
Em suas últimas apresentações da temporada, Larissa Noel conversou com o CH News sobre o seu processo e seus desafios para interpretar Zezé:
Como você se preparou para o papel?
Desde o momento em que soube de fato que faria a Zezé, dividia o tempo entre a sala de ensaio. Assisti a vídeos de entrevistas, shows, filmes dela e realizei sessões de prosódia com uma fonoaudióloga onde fazíamos exercícios de sotaque. Dividi em momentos: primeiro conhecendo o texto e procurando me situar na cronologia da dramaturgia, e simultaneamente, aprendendo as músicas do espetáculo. Depois, num segundo momento, procurei decorar os textos a partir das cenas que levantávamos.
E por fim, parti para a parte do corpo e voz; registrei imagens de Zezé e utilizei essas fotos e vídeos como caminho para entender a movimentação corporal. Para o registro do timbre de Zezé, repetia o que ela dizia, as frases das entrevistas, e a mesma coisa com os shows. Se tem uma coisa que fiz foi assistir e ouvir incansavelmente todos os materiais possíveis. De resto foi experimentar na sala de ensaio e ir fazendo mesmo durante a temporada também.
Qual foi o seu maior desafio em interpretar uma pessoa que não só está viva, como também é conhecida pelo público?
Justamente a resposta do público, dos amigos e conhecidos de Zezé. Como uma pessoa icônica e disruptiva, ela passou pela vida de muitas pessoas direta e indiretamente. Além de construir esse corpo, essa voz, tinha também a responsabilidade de alcançar as expectativas do grande público.
Como você lida com a responsabilidade de ser, ao mesmo tempo, protagonista de um espetáculo e assumir o papel de uma figura tão importante como Zezé?
Tenho lidado de forma tranquila, apesar da tamanha responsabilidade e a pressão de estar nesse lugar de destaque. Foi um processo de construção e pesquisa muito tranquilo, com um elenco e equipe criativa muito atenciosa. E para mim, justamente por esse processo ter sido da forma que foi, tenho me sentido desafiada de forma leve e me construindo ainda durante a temporada.
Qual o peso do legado de Zezé para você? Como você o leva para o palco?
A história dela é uma inspiração não só para mim, como também para todos que a acompanham. Poder ter a oportunidade de “replicar” e levar para as pessoas essa história é um privilégio e uma honra. Zezé estimulou e estimula várias gerações de pessoas pretas a viver seus sonhos e conquistar espaços.
O que Zezé te ensinou, tanto pessoal quanto profissionalmente?
Acreditar na minha capacidade profissional enquanto artista e a não desistir dos sonhos. Estar nesse processo mergulhando na história de Zezé me fez ver refletida – mesmo que anos depois, uma situação muito semelhante; rejeições acerca da aparência, receio dos pais em relação a viver de arte, até mesmo na escolha de um curso profissionalizante que não fosse artístico para manter a estabilidade profissional.
Mesmo depois de gerações a história se repetiu, e com a vivência e o mergulho nos detalhes da vida de Zezé compreendi, observando seus passos, que é possível acreditar no exercício da função de artista e viver daquilo que se ama. Muitas vezes durante a vida tive bloqueios que me impediram de eu mesma me incentivar, sendo uma menina negra dentro do mercado de trabalho e na sociedade. A pesquisa da história de Zezé fez e faz eu me sentir uma possibilidade na minha vida e na arte.
Qual é a mensagem que você gostaria que o público levasse do espetáculo?
A história de Zezé passa por uma montanha russa de emoções, sentimentos, sofrimentos e inúmeras alegrias e essas nuances fazem com que olhemos para nós mesmos e reorganizemos pensamentos ou atitudes que temos acerca da vida e das nossas escolhas.
Eu acredito ser emocionante o momento em que mesmo com todas as negativas que a Zezé viveu, as perdas de grandes amigos e família, ela segue sorrindo e acreditando. E apesar de vários obstáculos que a vida apresenta a cada um, fazendo desacreditar e desistir dos objetivos, o amor pelo que gostamos e queremos faz a gente se movimentar e também nos estimula.
Teatro Raul Cortez – Sesc 14 Bis: Rua Doutor Plínio Barreto, 285, Bela Vista.
Últimas apresentações dias 17, 18, 19 e 21 de abril.
Ingressos pelo site do Sesc.



