
Há quanto tempo você não conhece algo novo? Esse é o ponto de partida da pesquisa da Heineken, “Reset da Mesmice”, realizada em parceria com a Box1824. O estudo investiga a relação entre pessoas e algoritmos, especialmente a forma como essas ferramentas moldam gostos, experiências e escolhas do cotidiano.
Entre os mil entrevistados em todo o Brasil, 42,9% afirmam que já não conseguem diferenciar seus próprios gostos daquilo que é sugerido pelos algoritmos. Além disso, 48,9% dizem querer se afastar dessas recomendações automatizadas.
Os dados apontam para um desejo crescente por conexões e experiências que surjam de maneira mais orgânica. Um dos temas recorrentes da pesquisa é a sensação de que os gostos individuais se tornaram generalizados. Em outras palavras, muitos entrevistados percebem que preferências e interesses passaram a ser mais genéricos, enquanto 38,7% afirmam sentir falta de desenvolver gostos mais singulares.
A falta de novidades e o preço da repetição digital
Outro dado revelado pela pesquisa mostra que parte dos entrevistados enxerga a experiência digital atual como um “loop infinito”, em que conteúdos são constantemente reciclados e repetidos, deixando pouco espaço para novidades.
Como consequência, 23,4% dos participantes acreditam que a surpresa já não faz mais parte do cotidiano. Ao mesmo tempo, 28,4% apontam justamente a surpresa como a principal recompensa de agir fora da lógica dos algoritmos.
Francisco Formagio, pesquisador de comportamento da Box1824, define a situação da seguinte forma: “Quando o consumo passa a ser orientado por padrões que reforçam o que já conhecemos, o novo deixa de ser uma experiência espontânea e passa a ser uma variação do mesmo”.
Impactos no comportamento e na saúde mental
A pesquisa “Reset da Mesmice” também identificou impactos emocionais e comportamentais relacionados ao consumo digital mediado por algoritmos. Entre os principais efeitos apontados estão o cansaço mental e a perda do elemento surpresa.
Os entrevistados também relataram diminuição do vocabulário e menor paciência para conversas que fogem de seus interesses habituais. Além disso, 30% afirmam sentir ansiedade diante de interações sociais fora das telas.
Busca pelo espontâneo
Apesar da forte presença do ambiente digital na rotina, os resultados mostram que as conexões presenciais continuam valorizadas. Segundo o levantamento, 73,9% preferem conhecer pessoas e criar vínculos ao vivo, enquanto 46,9% acreditam que as conexões mais profundas acontecem presencialmente.
Nesse contexto, cresce a busca por experiências mais espontâneas. Para 48,9% dos entrevistados, diminuir a dependência dos algoritmos se tornou uma meta ligada ao bem-estar. A pesquisa aponta, assim, para um movimento de retomada da autonomia sobre gostos, preferências e formas de interação.



