
A Simões de Assis inaugura, em 2 de junho, em São Paulo, a exposição “Cícero Dias – Pioneiro da Arte Abstrata no Brasil”, com texto crítico do curador e historiador Gerardo Mosquera. Em cartaz até 18 de julho, a mostra reúne obras que evidenciam o papel do artista como um dos precursores da abstração no país, antes mesmo da consolidação do concretismo.
O recorte reúne trabalhos produzidos entre as décadas de 1940 e o início dos anos 1960, período marcado pela transição de Dias da figuração para a abstração. Nas pinturas dos anos 1940, formas orgânicas começam a dissolver a representação figurativa. Já na década seguinte, surgem composições geométricas mais estruturadas, revelando uma produção em constante transformação, entre o lirismo, a construção formal e as referências à paisagem e à memória de Pernambuco.
Um dos destaques da exposição é a convivência entre abstração lírica e geometria em uma mesma obra. Enquanto as telas dos anos 1940 dialogam com tendências da abstração europeia, incorporando elementos cromáticos e formas que remetem ao Nordeste brasileiro, os trabalhos dos anos 1950 exploram movimentos em espiral e diagonal, expandindo as possibilidades da geometria no espaço pictórico. Mais do que uma investigação formal, a obra de Dias é marcada por cor, luz e movimento. Segundo Mosquera, trata-se de uma produção que convoca “mais um olho-corpo do que um olho-máquina racionalista”.

A mostra também destaca a trajetória singular do artista no contexto latino-americano. Ainda no início dos anos 1940, Dias já realizava experiências abstratas que antecederam movimentos como o concretismo e o neoconcretismo no Brasil.
Radicado na Europa desde o fim da década de 1930, o artista integrou importantes circuitos da arte moderna, como o Groupe Espace e a Galeria Denise René, referência da arte construtiva na França. Apesar da atuação internacional, manteve vínculos constantes com o Brasil, onde realizou projetos e exposições ao longo de sua carreira.
Simões de Assis – Alameda Lorena, 2.050 A, Jardins, São Paulo, SP.


