
Anualmente, por meio do Global Change Award, a Fundação H&M premia inovações que buscam tornar a indústria têxtil mais sustentável. Desde 2015, ano da sua criação, ele já premiou 66 projetos com um total de 12 milhões de euros. Ao todo, são 10 vencedores da edição de 2026 anunciados. Junto da premiação de 200 mil euros, eles também irão participar do programa Changemaker, formado por mentorias e treinamentos para o desenvolvimento dos seus projetos. Conheça aqui os vencedores.
Novas matérias-primas e materiais
Da indiana Canvaloop, o Agro-Lyocell transforma resíduos da agricultura em fibras de celulose de alta qualidade que a indústria têxtil pode adotar na sua produção. Dessa forma, ele funciona principalmente como um substituto do liocel tradicional, que é feito com a celulose da madeira. Ou seja, além de ser uma alternativa biodegradável, ela também previne a queima dos restos de cultivos.
A ArtSilk, originalmente da Suécia, estuda como as aranhas produzem suas teias para criar fibras que podem substituir materiais como a seda e derivados do petróleo. Para isso, ela usa proteínas produzidas por microrganismos para fabricar um material resistente, versátil, reciclável e biodegradável.
Na costa da Tanzânia, a Keltex surgiu para encontrar uma finalidade para as algas marinhas tão abundantes na região. Usando a inteligência artificial para monitorar as condições do oceano, esse projeto usa essas algas para criar uma alternativa sustentável para o couro natural e sintético. Mas muito mais do que isso, a Keltex também representa novas oportunidades para aqueles que vivem da colheita e venda das algas marinhas na Tanzânia.
Também da Índia, a MicroBlue se propõe a abordar as questões que cercam o tingimento. Dentro da indústria têxtil, o tingimento é uma das áreas que mais consome recursos e polui o meio ambiente. Pensando nisso, a MicroBlue produz corantes não tóxicos, que consomem menos recursos durante a sua fabricação e ainda podem ser criados em uma grande variedade de cores. A chave para esse feito? Microrganismos criados por meio da fermentação.
O elastano, tão comum nas roupas, é o alvo da britânica Tera Mira. Por ser um grande desafio de reciclagem, a ideia é substituir o elastano por uma alternativa que seja biodegradável, ou que possa ser separada com facilidade em centros de reciclagem. A solução encontrada foram as algas marinhas que, na natureza, já são elásticas.
Materiais reciclados
Fundada por uma canadense, a Fiberly cria fibras similares às do algodão a partir de celulose e tecidos reciclados. O projeto foi desenvolvido para imitar a textura e a aparência do algodão, sem que seja necessário cultivar a planta em si. Assim, essa iniciativa fornece a mesma experiência de um tecido de algodão, mas sem depender de extensas áreas de cultivo, irrigação ou pesticidas.
A RheaCycle, dos Estados Unidos, muda e aprimora a forma como os materiais são reciclados pela indústria têxtil. No lugar de retalhar os tecidos mecanicamente, ela usou inteligência artificial para desenvolver enzimas capazes de “desmontar” tecidos, ao nível molecular. O resultado são novos materiais de alta qualidade que podem ser usados como novos pela indústria.
Inteligência artificial como aliada
A Alu, criada nos Estados Unidos, é uma plataforma que combina ferramentas de inteligência artificial com psicologia de consumo para incentivar os consumidores a participarem da moda circular. Por meio do passaporte digital de produtos, que já está em vigor como medida obrigatória em alguns países, ela busca facilitar a revenda e a compra de itens usados.
Pensando em reduzir desperdícios em cadeias de produção, a britânica EntroMetrix cria modelos digitais das fábricas com o apoio da IA. Com isso, ela consegue acompanhar a operação dos processos, bem como avaliar os impactos de mudanças no sistema. Dessa forma, a eficiência da produção aumenta e o consumo de recursos e desperdícios diminuem.
De Bangladesh, a threadBridge tem como objetivo melhorar as condições de trabalho em centros de produção de vestimentas. Com o uso de óculos smart com inteligência artificial, ela permite que operários detectem defeitos nos tecidos com muito menos esforço e com mais agilidade. Além de facilitar o trabalho nas fábricas, a ideia também impede que tecidos com problemas sejam transformados em roupas que não podem ser usadas e que são, portanto, descartadas.



