
As redes sociais já têm a sua nova tendência: a Jelly Firkin. Em um trocadilho com as palavras “fake” e “Birkin”, essas bolsas começaram a aparecer como o próximo grande acessório de moda. Assim como o nome diz, elas apresentam o mesmo formato das Birkins e algumas delas contam até mesmo com o cadeado e a chave. Com o pequeno detalhe de que a Hermès não está por trás da produção ou venda de nenhuma delas. Já “jelly” faz referência ao material que compõe as bolsas. Feitas de plástico PVC translúcido e brilhante, elas possuem uma extensa gama de cores vibrantes que dão a elas um aspecto quase gelatinoso.
As primeiras menções à Jelly Firkin começaram a aparecer em maio deste ano e, até os dias de hoje, as buscas só aumentaram mundialmente. Nas redes sociais, a pesquisa pelo termo resulta em incontáveis vídeos de usuários que exibem suas bolsas orgulhosamente, junto das suas customizações com chaveiros e outros acessórios.
Mas, como pode uma bolsa de PVC translúcido que imita uma grife ter se tornado tão popular? Há uma série de razões que podem explicar este fenômeno. Antes de mais nada, a Jelly Firkin se apoia na popularidade e no status já estabelecido das Birkins como um item muito desejável e de difícil acesso.
Por outro lado, elas estão amplamente presentes em diversos sites da internet e a preços bem menores. Isso não quer dizer que elas sejam bolsas baratas, mas plataformas como AliExpress e Ebay apresentam listagens entre U$ 70 e U$ 300. O que é uma grande diferença da faixa de U$ 10.000 a U$ 200.000 que as Birkins costumam ocupar.
Além disso, a própria aparência das bolsas ajuda a construir sua popularidade. Outra das tendências que tem ganhado força nos últimos anos é a retomada da estética colorida e vibrante dos anos 2000. E junto desse resgate do passado, voltam também itens produzidos em materiais transparentes que foram tendências de consumo do passado. Como resultado, a estética “Jellly” combina esses elementos e abrange cores neon em materiais transparantes e brilhantes que lembram a aparência de uma gelatina.
E claro que a Jelly Firkin se encaixa perfeitamente nessas características “gelatinosas” dos anos 2000 com o toque de sofisticação que uma bolsa da Hermès carrega. De certa forma, com a sua popularização, elas amadurecem a estética “Jelly” dos anos 2000 e mantém o seu apelo para quem a vivenciou quando criança.
Seja a Jelly Firkin de U$ 70 ou U$ 300, o material mais usado nela é, na esmagadora maioria dos casos, o plástico PVC. Além de não representar um custo elevado para a indústria, ele apresenta características como maleabilidade, transparência e resistência. Ou seja, as bolsas feitas a partir desse material apresentam todas as características para serem um produto que acompanha seu usuário por anos a fio.
No entanto, assim como outras tendências que surgiram nos últimos anos, existem grandes chances da Jelly Firkin desaparecer tão rápido quanto surgiu. Tudo isso deixa uma questão no ar: qual será o destino dessas milhares de bolsas?
Quando o assunto é PVC, é preciso manter em mente que ele leva séculos para se decompor na natureza. Mas não para por aí, seu processo de reciclagem, além de complexo e trabalhoso, é caro. Por conta disso, muito pouco do PVC passa pela reciclagem e sua maior parte acaba simplesmente descartado.
A Hermès detém os direitos autorais e do desenho industrial da Birkin, o que significa que ela é dona de toda a identidade visual da bolsa, independentemente do material usado na sua fabricação. Mesmo assim, essa não é a primeira vez em que a Birkin aparece de uma maneira “alternativa”.
Talvez o caso mais parecido dessa situação tenha acontecido em abril de 2010, no Brasil. Lançada pela 284 como parte da coleção “I Am Not The Original”, a Birkin de Moletom era produzida no exato formato da bolsa original e diferia dela apenas no uso do moletom para sua construção. O resultado? A Hermès processou a marca brasileira, que foi obrigada a retirar a bolsa de circulação.
Mais recentemente, foi a vez do Walmart lançar sua versão da bolsa entre 2024 e 2025, que foi apelidada de “Wirkin”, também como um trocadilho. Ainda que a rede não as tenha chamado oficialmente com esse nome, elas ficaram conhecidas como alternativas mais baratas para uma Birkin autêntica.



