
Com informações da Bloomberg
As emissões de gases de efeito estufa da indústria da moda aumentaram em 2023 e 2024, em parte devido ao crescimento da produção global de fibras, especialmente o poliéster, segundo um novo relatório do Apparel Impact Institute.
As emissões do setor de vestuário subiram 6,3% em 2024, após um aumento de 7,5% no ano anterior; no ano precedente a esse, houve uma leve queda nas emissões. 2024 é o ano mais recente com dados disponíveis pelo instituto.
Naquele ano, as emissões do setor de moda totalizaram cerca de 1 gigatonelada – volume praticamente equivalente a toda a pegada climática do Japão.
“É uma tendência bastante preocupante”, afirmou Kurt Kipka, diretor de impacto do instituto, uma organização sem fins lucrativos que busca promover a sustentabilidade na moda. “É um sinal claro do aumento no consumo de materiais.”
Ele destacou o custo como um obstáculo significativo para o setor em seus esforços de descarbonização. O poliéster virgem continua sendo mais barato e mais disponível do que o material reciclado, afirmou.
Agora, com a volatilidade causada pela guerra envolvendo o Irã elevando os preços da energia, Kipka disse que a situação evidencia a necessidade de os fabricantes de vestuário buscarem alternativas ao petróleo e ao gás. “É aí que as fontes de energia renovável e o armazenamento em baterias no próprio local se tornam uma proposta mais atraente”, disse ele.
O setor enfrenta uma queda de 34% nos lucros até 2030 – conforme apontado pelo instituto em uma pesquisa separada – devido a interrupções na cadeia de suprimentos e ao aumento das despesas operacionais, a menos que as empresas ajam rapidamente para conter suas emissões de carbono.
A indústria da moda pode apresentar alguns êxitos: o número de empresas de vestuário que aprovaram metas climáticas baseadas na ciência, ou que se comprometeram a estabelecê-las, saltou de cerca de 100 no final de 2021 para mais de 700 em junho deste ano. Grandes marcas relataram reduções de dois dígitos em suas emissões e ampliaram a participação de fibras recicladas em suas peças de vestuário, segundo o relatório.
Ainda assim, empresas do setor recuaram em seus compromissos ambientais em meio a mudanças políticas e pressões inflacionárias. No início deste ano, a Burberry adiou em uma década sua meta anterior de atingir emissões líquidas zero até 2040.



