
Zélia Duncan poderia comemorar 45 anos de carreira revisitando apenas os grandes sucessos de sua trajetória. Mas escolheu um caminho bem mais interessante: subir ao palco com um disco inteiramente inédito e a mesma disposição de quem ainda tem muitos territórios para explorar. Depois da ótima recepção de “Agudo Grave”, seu 21º álbum, a cantora e compositora dá início à turnê do novo trabalho. A estreia nacional acontece nos dias 4, 5, 6 e 7 de setembro, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, com participações especiais de Alberto Continentino, João Camarero, Lenine, Maria Beraldo e Tó Brandileone.
“Apesar de tanto tempo e de tantas músicas, continuo procurando lugares onde nunca fui. O show ‘Agudo Grave’ vai falar justamente desse desejo de seguir adiante, sempre revendo o lugar de onde eu vim. É uma mistura do desafio com o caminho já percorrido”, afirma Zélia.
Dirigido pela própria artista em parceria com Simone Mina, que também assina a direção de arte, o espetáculo leva para o palco o espírito livre e inquieto do álbum. A direção musical é de Maria Beraldo, uma das vozes mais inventivas da música brasileira contemporânea.
“Quis comemorar esses 45 anos de uma maneira desafiadora: com um disco todo novo, reunindo parceiros da minha geração e também novas parcerias. A Maria [Beraldo] é uma artista muito corajosa, profundamente respeitada pelos colegas, e trouxe um olhar que abriu caminhos para esse trabalho”, conta.

No palco, Zélia estará acompanhada por Antonio Loureiro, na bateria; Fabio Sá, no baixo; Aline Gonçalves, nas flautas e no clarinete; Amanda Camargo, ao piano; e Ciro Bellucci, nos violões. Formada por músicos multi-instrumentistas, a banda troca instrumentos, vozes e texturas ao longo da apresentação, ampliando o jogo entre delicadeza e potência que atravessa o novo disco.
O repertório apresenta canções como “Agudo Grave”, parceria de Zélia com Lucina; “Pontes no Ar”, composta com Alberto Continentino; e “Maravilha Disforme”, criada ao lado de Lenine. As inéditas encontram músicas que marcaram diferentes momentos de sua carreira, mas sem transformar o show em uma viagem puramente nostálgica.
“O repertório traz as músicas novas conversando com as músicas que já estão no caminho. São assuntos novos, encontrando canções que continuam vivas e dizendo coisas importantes para mim”, explica.
Mais do que celebrar o tempo percorrido, Zélia Duncan transforma os 45 anos de carreira em combustível para o próximo passo. “Agudo Grave” nasce justamente desse movimento: olhar para trás sem permanecer no passado, e continuar fazendo da inquietação um dos sons mais marcantes de sua obra.



